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domingo, 17 de agosto de 2025

(LA) Sessão 6

A luta pelo último cristal

O Guia identificou o monstro como um ogro. Ele golpeava a última pedra, que parecia emanar uma energia mística, mas os aventureiros não pretendiam deixá-lo destruí-la. Assim, posicionaram-se em formação de ataque e avançaram contra o inimigo.

Garuk iniciou o confronto com uma investida furiosa. O sekbete foi surpreendido pela agilidade da criatura, que desviou o golpe usando os próprios braços. O Guia também tentou atacar o ogro, mas foi repelido da mesma forma. O monstro demonstrava não apenas força bruta, mas também velocidade.

Por estar concentrado em destruir a pedra brilhante incrustada na parede, o ogro demorou a reagir com violência. Porém, quando finalmente contra-atacou, quase derrubou Garuk. O sekbete recuou e pediu apoio ao sacerdote e a seus milagres. Nesse momento, Olgaria e Sombra avançaram em conjunto, reforçando a linha de frente.

Apesar do poder destrutivo do ogro, ele não era páreo para a união e as estratégias do grupo. Quando o Guia conseguiu acertá-lo na parte de trás da perna, forçando-o a ajoelhar-se, Sombra aproveitou a brecha e saltou em seu ombro. O ogro, em desvantagem, virou as costas para Rector, que disparou uma flecha certeira de seu arco élfico contra a nuca do inimigo. O ogro tombou morto.

O segredo da catacumba de gelo

O grupo se dividiu: alguns desejavam explorar as rochas e as ruínas da Torre de Gelo Quebrada, enquanto outros preferiram vasculhar o corpo do inimigo caído. Olgaria, por sua vez, sentou-se para descansar junto à parede em ruínas.

Garuk e o Guia examinaram o corpo do ogro. O Guia apanhou o pesado martelo de guerra e o tomou para si, enquanto Garuk não encontrou nada de valor. Rector e Darion, por outro lado, estudavam as pedras que o ogro havia atacado. A rocha incrustada na parede irradiava um brilho pálido semelhante ao do Cristal d’Aurora, mas não idêntico.

O feiticeiro retirou de sua bolsa o Cristal que carregava e o aproximou da rocha. O grupo ouviu uma vibração intensa, acompanhada por um ruído estridente de vidro em choque. Rector pediu que todos recuassem e avançou mais um passo. A rocha estourou e desabou no chão, revelando um objeto hecatoédrico polido, com a mesma chama pálida do Cristal d’Aurora.

Darion o recolheu e percebeu uma ressonância estranha entre os dois cristais. Um lampejo atravessou sua mente: a visão de um guerreiro humano, em armadura azul, golpeando com um machado uma guerreira muito maior do que ele. A cena desapareceu tão rápido quanto surgira, sem lhe dar respostas.

Rector entregou os cristais a Garuk, que os uniu de imediato. Uma explosão de luz os envolveu. Rector foi obrigado a fechar os olhos, e os demais se viraram para ver o que acontecera. Garuk jazia no chão, com os braços queimados pela reação. O Cristal d’Aurora permanecia cravado na parede ao seu lado, enquanto o hecatoedro fora lançado a dezenas de metros, por pouco não atingindo os cavalos presos fora da torre.

Avançando na exploração, Darion encontrou uma passagem bloqueada por uma grade. Garuk a arrombou com seu machado e o Guia acendeu uma tocha para iluminar o caminho. O andar inferior era pequeno, gélido, e suas paredes eram feitas de gelo cristalino.

Logo à frente da escadaria, um altar exibia um machado de batalha forjado em chama pétrea, um raro mineral. Garuk ficou tentado a tomá-lo de imediato, mas o grupo optou por investigar o local primeiro.

Rector identificou a estrutura como feita de gelo perpétuo, certamente obra mágica. Já Darion deduziu, por evidências arqueológicas, que tinha pelo menos dois milênios de idade. Além do altar, havia dois pedestais cobertos por moedas de ouro antiquíssimas, ofertadas em respeito ao morto.

No centro, um túmulo exibia uma inscrição em língua perdida, da qual apenas o nome “Garok’Drakul” pôde ser compreendido. Darion pediu auxílio divino. Pi-Toutucam, deus da diplomacia e do comércio, respondeu à prece: tratava-se do idioma dos povos antigos das geleiras. Com esse conhecimento, o sacerdote invocou um milagre e leu a inscrição:
“Sob a fúria do Rei, não temi. Sob o frio da Rainha, não fraquejei.”

A tampa do túmulo era tão pesada que nem Garuk a movia sozinho. Foi necessária a ajuda do Guia. No esforço, ouviram algo se partir: era a armadura de gelo perpétuo que envolvia os restos mortais, já enfraquecida pela idade.

O cadáver trajava vestes nobres e a armadura quebrada, que Rector reconheceu como a mesma de sua visão. Sob o corpo, revelava-se outra inscrição:
“A honra do meu senhor é meu escudo. O sangue do meu senhor, minha espada. Minha vida, sua glória.”

O Guia examinou exaustivamente a catacumba em busca de armadilhas, mas nada encontrou. Mesmo assim, notou pequenas estalactites se formando no teto e desconfiou de uma ameaça mais elaborada. Seu maior alerta, contudo, veio quando percebeu que o gelo perpétuo estava derretendo. As paredes pingavam, o teto escorria, e o chão já acumulava poças d’água. Ele advertiu o grupo, que bateu em retirada — mas não sem antes Garuk tomar para si o machado de chama pétrea.

Os aventureiros deixaram a torre a tempo de vê-la ruir de baixo para cima, desmoronando até não restar mais que uma pilha de gelo para futuros exploradores.

Jornada pelas terras geladas

O grupo retomou a jornada rumo a Trisque, descendo novamente as montanhas até alcançar a trilha principal em direção ao sul.

No segundo dia de viagem, avistaram um estranho monólito cinzento, a algumas dezenas de metros da estrada. Curiosos, aproximaram-se. Assim como a Torre de Gelo Quebrada, a estrutura parecia milenar, embora seu propósito fosse incerto. Ainda assim, decidiram investigá-la.

Rector a tocou, tentando sentir vibrações ou visões, mas sem sucesso. Garuk, mais prático, farejou algo enterrado e escavou até encontrar uma caixa selada. Dentro dela havia sementes apodrecidas, incapazes de frutificar naquele solo gélido.

Sob um fundo falso, encontraram ferramentas agrícolas, mais sementes — estas ainda em boas condições — e um saco com cinquenta moedas de ouro. O grupo guardou o que lhe interessava e seguiu viagem.

No quarto dia, cruzaram ruínas de uma cidade antiga. Avançaram com cautela, mas logo perceberam que o local era rota habitual de caravanas comerciais.

No quinto dia, enfrentaram o estouro de uma manada de mamutes. O Guia percebeu que, quilômetros acima, um bando de orcos os havia atacado, provocando a debandada. O perigo era real, pois os animais poderiam atravessar a trilha dos aventureiros. Para evitar o desastre, Rector abriu um portal para a Casa dos Sonhos, enquanto Darion sobrevoou a cena para avaliar a situação. O Guia, teimoso, recusou-se a entrar no refúgio mágico e preferiu permanecer sobre a nuvem criada pelo sonhador.

O grupo cogitou perseguir os orcos na montanha, mas logo concluiu que seria perigoso demais e desviaria sua rota.

O refúgio em Valengard

Dois dias depois, atravessaram um bosque denso e encontraram a estátua de um guerreiro, que marcava a entrada de Valengard, a Guarda do Bosque. Aos pés da estátua, lia-se a inscrição:
“Nosso juramento, uma parede contra o gelo. Nossa lâmina, uma aurora no inverno. Onde o passo do mal treme, a sentinela protege. Por esta terra, sempre em guarda.”

O grupo estava, enfim, diante dos primeiros sinais de civilização desde Odrenvil. Na estrada, cruzaram-se com um pelotão de patrulheiros liderados por um elfo. Eles questionaram os viajantes, mas a conversa breve terminou de forma amistosa, especialmente após Darion abençoá-los em nome de Cambu, o nome mais conhecido de sua divindade fora das terras napóis.

A chegada a Valengard foi acolhedora. O vilarejo mantinha-se de portas abertas, protegido por sólidas paliçadas. Placas os conduziram diretamente à Taverna da Vanguarda, ao sul da vila. A noite já caía, e uma cama era mais que bem-vinda.

Darion pagou cinco moedas de ouro ao taverneiro e garantiu quartos para todos, enquanto providenciava abrigo para os cavalos. Rector seguiu para o mercado, Garuk e Olgaria foram descansar. O Guia, por sua vez, buscou um canto reservado na taverna.

Havia apenas um disponível, mas suficiente para observar o salão. Ao se acomodar, notou, próximo dali, um elfo dourado com uma cicatriz no rosto. Encostada na parede atrás dele, havia uma longa haste coberta por tecido. O olhar atento do Guia, no entanto, identificou parte de um símbolo gravado no objeto: o emblema de Aymon Ghevra, antigo proprietário da arma, e seu mestre enquanto escravo.

Valengard, Terras Selvagens, dia 25 do mês da Paixão do ano de 1502

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

(VS) Sessão 2

A Lança de Hierofante

Com o retorno de Hothsopoth trazendo o disco de dados procurado, o grupo se reuniu no ponto de encontro e aguardou o transporte enviado pela Aliança Solar. O helicóptero de carga possuía espaço suficiente para todos viajarem juntos, e eles aproveitaram o trajeto para iniciar a análise do conteúdo do disco. 

Rykk conectou o disco ao seu computador pessoal e pesquisou diversos termos relacionados à Síndrome da Marcha Definhante — como Marcha, Definhante, Doença e SMD. No entanto, apenas quando começou a buscar expressões associadas aos sintomas encontrou resultados relevantes. O draconiano localizou um arquivo sobre um paciente que apresentava sintomas semelhantes aos da SMD, embora em estágio mais avançado. O relatório, assinado por uma cientista chamada Evelyn Reed, trazia relatos perturbadores sobre o “Paciente 73”. 

Os acontecimentos descritos datavam de mais de vinte anos atrás, motivo pelo qual o arquivo parecia não estar classificado entre os dados sigilosos obtidos, já que o computador portátil de Rykk não conseguira descriptografar todo o disco.

LOG: Relatório de Caso — Paciente 73

Identificação do Caso: 112-AKIT-73

Assunto: Manifestação Anômala de "Sincronia Interplanar"

Data: 19/07/304 DL

Relatório de Ocorrência: Dr. Evelyn Reed

O Paciente 73, que estava sob monitoramento constante na ala de contenção L-3, manifestou um evento de "sincronia interplanar" de magnitude sem precedentes. Por volta das 02:40, as leituras de atividade cerebral do paciente caíram para um estado de sono profundo, mas o corpo petrificado permaneceu ativo.

Às 02:42, o paciente simplesmente desapareceu do seu leito. Os sensores de movimento, temperatura e biológicos de contenção não detectaram nenhuma anomalia. As câmeras, no entanto, registraram o evento: o paciente piscou e, quando reabriu os olhos, não estava mais lá. Ele reapareceu no laboratório de Astrofísica, a 1.2 km de distância, parado diante de um mapa estelar projetado.

O mais perturbador não foi o teletransporte. As gravações de todas as câmeras da estação capturaram um murmúrio unificado: uma voz de barítono profunda, ecoando como se estivesse no ouvido de cada observador. A voz se manifestava em todos os canais de áudio da base, mas a equipe de segurança e os cientistas em serviço juram que não ouviram nada. É como se a manifestação fosse direcionada e não sonora, vinda de uma boca invisível em todas as câmeras simultaneamente.

Durante este "delírio", o paciente parecia descrever uma jornada:

"A escuridão se dobra, a luz se parte. Os ecos do que foi... Onde está a rota? Não se pode ver a rota, mas a mão sente o caminho...
O coração de Kaleb... o berço, em Vastidão, setenta e sete por cento, dezessete ponto sete, zero ponto um... A cicatriz do mundo, a chama... a porta.
As árvores de ferro no além, vinte e dois por cento, trinta e quatro ponto zero, um ponto um. A dor em mil folhas de metal.
O primeiro toque em Aka, o Desconhecido, o véu se rasga. O braço que caminha na carne. O fim do sofrimento é o começo da rotação."

O evento durou aproximadamente três minutos. Ao seu término, o paciente estava de volta à cela, em seu leito, ainda em sono profundo. Não há explicação para este evento e não temos como decifrar as coordenadas mencionadas. Acredito que a doença não seja uma degradação mental, mas uma janela para outra realidade.

Recomendo a transferência imediata do paciente para uma instalação de segurança máxima e o isolamento total de todos os dados do caso. Este fenômeno excede nossa capacidade de estudo e representa um perigo de origem desconhecida.

A leitura do log terminou quando o helicóptero pousava na instalação de Solaria. Rykk desejava explorar mais arquivos do disco, mas o volume de dados — em petabytes — exigiria pelo menos uma hora para ser indexado. O draconiano fingiu que suas lesões o incomodavam mais do que realmente e seguiu para a enfermaria. Assim, Hothsopoth foi o único a se dirigir diretamente ao encontro de Garig. 

Na sala do androide, Hothsopoth relatou o sucesso da extração e informou que estavam com o disco de dados do laboratório, mas que Rykk ainda fazia uma cópia antes de entregar. Garig não reagiu de imediato, mas ficou preocupado com a possibilidade de o conteúdo ser perigoso.

Enquanto recebia tratamento, Rykk pesquisou sobre Evelyn Reed, descobrindo que ela era formada em Ciências Físicas e possuía um histórico notável de pesquisas sobre fenômenos paranormais. Contudo, sua última aparição pública datava de mais de dez anos. 

Quando a enfermeira Vera, uma verthani, concluiu os cuidados, o computador de Rykk havia terminado de indexar parte dos arquivos. Uma grande quantidade permanecia criptografada, mas entre os dados acessíveis havia novos registros sobre a cientista-chefe. Entre eles, destacou-se um relatório intrigante, assinado também por um analista chamado Dr. Kenji Tanaka. Seu nome aparecia em outros documentos, indicando intensa colaboração com Evelyn.

Relatório: Anomalias de Radiação em Frequência Ressonante — Projeto ERS-AK-2234-A

Título do Relatório: Anomalias de Radiação em Frequência Ressonante

Identificação do Projeto: ERS-AK-2234-A

Equipe de Pesquisa: Dr. Evelyn Reed (Liderança, Física Teórica); Dr. Kenji Tanaka (Análise de Dados, Astrofísica); Equipe de monitoramento (3º turno)

Sumário Executivo: Este relatório documenta a detecção e análise de uma assinatura de energia anômala recorrente, denominada "Eco de Radiação Sepulcral" (ERS). Os picos de energia não se alinham com qualquer fonte astrofísica conhecida (pulsares, quasares, eventos estelares). A pesquisa sugere uma origem interdimensional ou extradinâmica, com manifestações localizadas e imprevisíveis no espaço-tempo de Akiton.

Dados de Análise (Amostras de Registro):

*Evento: ERS-A-01
Data/Hora: 12/03/310 DL (D.L. — Anos Após o Grande Despertar) às 04:21:13
Localização: Coordenadas orbitais: 45°S, 120°E. Sobre a região conhecida como "Cânion da Mão Quebrada".
Leitura do Sensor: Pico de 8.76 THz (terahertz), com uma assinatura quântica de spin negativo. O evento durou 1.2 milissegundos.
Observação: O pico de energia foi precedido por uma leve flutuação gravitacional local, de 0.003 G, 1.5 segundos antes da detecção.

*Evento: ERS-B-07
Data/Hora: 19/07/311 DL às 19:54:55
Localização: Coordenadas terrestres: 23°N, 55°O. Em uma área remota e desabitada do deserto.
Leitura do Sensor: Pico de 8.76 THz, com a mesma assinatura quântica de spin negativo. Duração de 1.1 milissegundos.
Observação: A detecção foi totalmente inesperada, sem flutuação gravitacional prévia. Uma tempestade de areia de proporções anômalas se formou na área 15 minutos após o evento.

*Evento: ERS-C-12
Data/Hora: 05/11/313 DL às 11:30:01
Localização: Coordenadas orbitais: 18°S, 98°O. Em um cinturão de detritos espaciais (referência interna: "Cemitério de Satélites").
Leitura do Sensor: Pico de 8.76 THz, com a mesma assinatura quântica de spin negativo. Duração de 1.3 milissegundos.
Observação: A análise posterior mostrou que um satélite de comunicação desativado (modelo AK-Sat 7) sofreu uma pane completa em seu núcleo de energia no exato momento da detecção do ERS, apesar de estar em estado inerte.

Análise Preliminar e Conclusões: A assinatura de 8.76 THz com spin negativo é a constante em todos os eventos. A equipe de pesquisa teoriza que esta frequência é um "eco" ou "ressonância" de um evento de energia muito maior, ocorrido em outro plano de existência. Não há um padrão previsível de ocorrência. A flutuação gravitacional parece ser um precursor em alguns casos, mas não em todos. A única certeza é que a presença do ERS tem um efeito perturbador e aleatório sobre a matéria e a energia em seu entorno, como visto no caso da tempestade de areia e do satélite de comunicação.

Recomendações: Continuar o monitoramento em busca de novos eventos ERS; expandir a área de busca para outros planetas com topografia similar a Akiton; investigar a correlação entre os eventos ERS e outras anomalias gravitacionais documentadas; solicitar o financiamento para o projeto "Análise Biológica de Ressonância", que visa entender se o ERS pode ter um impacto em sistemas orgânicos.

Ao final, o nome de Kenji tornou-se o próximo alvo de investigação. O grupo descobriu que ele trabalhava discretamente em um ponto do anel de Akiton, embora não conseguissem determinar a localização exata. Enquanto ainda discutiam as implicações, foram convocados para uma reunião urgente com Garig. Ele revelou que a Aliança Solar havia localizado Kenji Tanaka, mas o paradeiro de Evelyn permanecia desconhecido.

O assunto mais grave, porém, era outro: Garig exibiu imagens de um bombardeio orbital em Aelas-V, realizado pela organização paramilitar Lança de Hierofante, há cerca de nove semanas. Segundo ele, essa mesma organização estava por trás da instalação invadida pelo grupo. A ligação havia sido descoberta graças à análise dos dados descriptografados. Garig alertou que a Lança provavelmente perseguiria o grupo, pois suas imagens haviam sido expostas. 

Ele apresentou duas opções: 

• Sumir no universo sob novas identidades, protegidos pela Aliança Solar. 

• Enfrentar o inimigo, usando a antiga nave Berenice, atualmente em posse do solariano kasatha Gre-ôn, um eremita no anel de Akiton. 

O grupo escolheu enfrentar a ameaça e continuar a busca pela cura da SMD. Garig orientou que evitassem contato com entes próximos, para que suas fichas pessoais fossem blindadas.

Pouco depois, embarcaram em uma nave emprestada, que serviria apenas para levá-los até Gre-ôn. Após pouco mais de uma hora de viagem, Edric conduziu a nave entre detritos espaciais, enquanto Flynn usava os sensores para auxiliar Rykk nos escudos e Kassius na destruição de obstáculos. Conseguiram pousar com danos mínimos no asteroide vermelho de veios prateados. Com cautela e iluminação artificial, avançaram pelo caminho sem gravidade em direção à casa metálica de Gre-ôn, mas foram interceptados por drones. O combate era inevitável.

Akiton, quarta, 7 de Desnus, 325 DL.

domingo, 10 de agosto de 2025

(LA) Sessão 5

O Mantra

O medo

O tremor de terra assustou os Rúbios, que mencionaram que "O-Mal-Sob-O-Gelo" estava mais forte. Curiosos, os aventureiros fizeram algumas perguntas sobre a entidade e foram informados de que se trata de uma figura antiga que assola as Geleiras.

O ancião da tribo dos Rúbios estava orientando outros membros quando Rector e Garuk se aproximaram para conversar. Os demais aventureiros já tinham sido bem recebidos e estavam se aquecendo com um caldo de carne de lobo, embora os Napol tenham preferido sua própria ração. Rector e Garuk notaram uma mudança no semblante do ancião ao lhe mostrarem o cristal da Aurora. Assustado, o homem explicou que a presença do objeto era um mau presságio, pois atrairia o Mal-Sob-O-Gelo.

Apesar do temor que o cristal incutia no ancião, ele permitiu que os aventureiros pernoitassem na caverna junto com a tribo, pois a tempestade que se aproximava seria severa demais para ser enfrentada ao relento.

Olgaria, que conhecia as lendas sobre o Mal-Sob-O-Gelo, explicou que a entidade maligna é a suposta rival da Aurora Gelada. As histórias de sua tribo, os Zumi, narram que a Aurora Gelada deverá derrotar o mal quando despertar. Olgaria compreendeu a preocupação do ancião pois, como a Aurora ainda se encontra dormente, a presença do cristal pode atrair o mal e impedir o seu despertar.

Nial e Magmar pediram ao grupo que não levassem a atitude do ancião para o lado pessoal. Os presságios eram referentes ao cristal que carregavam, mas eles seriam sempre bem-vindos no futuro, caso retornassem sem o artefato.

O Guia, por sua vez, aproveitou a conversa para questionar sobre o menino Ingá. O menino parecia incapaz de falar, mas Magmar explicou que o havia resgatado de uma tribo de Lazúlis há um ano, quando ele portava apenas a roupa do corpo e uma pequena faca de pedra, que se partiu logo em seguida.

Uma trilha de sangue

A tempestade, como previsto pelo ancião, se abateu sobre a região naquela noite. Os aventureiros, porém, estavam protegidos na caverna dos Rúbios. Pela manhã, o clima havia mudado completamente, e eles seguiram a jornada para o sul, em direção à longa planície costeira.

Apesar de a paisagem ainda ser branca e nebulosa, o grupo notou a melhora do clima e viu água na forma de chuva pela primeira vez em dias. Eles pegaram a trilha principal que levava às Terras Bárbaras, notando que, diferente dos caminhos nas montanhas, este era largo e firme.

No caminho, os aventureiros encontraram um trenó Lazuli destruído, com um corpo esmagado e lobos mortos nas proximidades. As marcas de faca nos lobos e no corpo do Lazuli indicavam violência. Após investigar o local, descobriram outra trilha em direção ao leste. Rector sentiu uma sensação estranha, pressentindo a presença do cristal da Aurora, e o grupo decidiu seguir a pista encontrada pelo Guia.

Eremitas

A trilha os levou a um chalé decrépito no meio da neve, com fumaça saindo da chaminé. O Guia se aproximou cautelosamente e, em silêncio, sentiu o cheiro de peixe assado e ouviu um mantra sendo recitado por duas pessoas.

O mantra era o seguinte: 

Aura-lim. Friiou-Vêrn.
Sil-a-Vir. Nuirr-Crân, 
Pal-da-Sun. Bliss-e-Garrd. 
Fal-o-Norr

 

Enquanto isso, Olgaria e Darion ficaram para trás com os cavalos. Rector e Garuk, menos furtivos, se aproximaram por trás do Guia, e o mantra foi interrompido. O Napol encontrou o corpo de um Lazuli dentro de uma caixa na carroça em frente à cabana, e o homem lá dentro fechou rapidamente as janelas.

Como sua aproximação não havia sido notada, o Guia contornou a casa e entrou pela janela dos fundos, surpreendendo o casal. O casal, de cabelos loiros e usando roupas de inverno, ficou apavorado, mas não ofereceu resistência. O Guia abriu a porta para que os outros pudessem entrar.

Apesar de a abordagem ter sido pacífica, o comportamento do casal era peculiar. O grupo descobriu que o casal, Kael e Liana, estava usando um pó de cristal semelhante ao cristal da Aurora como condimento.

Durante a conversa, o grupo descobriu que o menino Ingá era, na verdade, o filho perdido do casal, Brandec. Eles o chamavam de Brandec e acreditavam que ele estava morto após um confronto com os Lazúlis.

Em troca de informações detalhadas sobre a localização do filho, os aventureiros questionaram o casal sobre a origem do cristal e sobre um gigante que, segundo as lendas deles, destruía as pedras quentes. O casal revelou que a criatura poderia ser encontrada na Torre de Gelo Quebrada, a oeste.

Os aventureiros pernoitaram na cabana, enquanto Kael e Liana, que permaneceram acordados durante a maior parte da noite, partiram pela manhã para encontrar o filho. O grupo, por sua vez, investigou o chalé e encontrou utensílios de metal com resíduos do pó de cristal que vibravam com a proximidade do cristal da Aurora. Rector obteve uma faca de cristal de Liana, o que o fez se lembrar do menino Ingá, que também havia sido encontrado com uma faca de pedra frágil.

O gigante na torre

Deixando a cabana pela manhã, o grupo seguiu para o oeste em direção às montanhas. Chegaram à Torre de Gelo Quebrada, onde os pesados barulhos de metal e pedra aumentavam à medida que se aproximavam.

O Guia, que nunca havia visto um gigante, percebeu algo inusitado: a criatura dentro da torre não era um gigante, mas um ogro. O monstro não parava de bater com uma marreta em uma pedra cristalina que emitia um brilho pálido e vermelho, semelhante ao cristal da Aurora.

As Geleiras, dia 19 do mês da Paixão do ano de 1502 DC, data dos reinos

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

(VS) Sessão 1

Sessão 1 – Extração de Dados

Recebidos em Akiton

    A Aliança Solar é uma organização sediada em Akiton, o planeta vermelho e decadente. Trata-se de um grupo paramilitar com filosofia solariana, comandado por solarianos em diversos níveis hierárquicos. A organização emprega muitas pessoas diretamente, mas também mantém contratos temporários com apoiadores para missões específicas.

    Com esse objetivo, Hothspoth e Flynn foram designados para coordenar uma missão de extração de dados em um laboratório científico em solo akitoniano. Com eles estariam mais dois voluntários: Kassius, um soldado, e Edric, um operativo. A combinação de habilidades do grupo permitiria executar a tarefa solicitada por Garig, o comandante da missão designado pela Aliança.

    Tudo o que os operadores da missão sabiam até então era que a tarefa aumentaria o conhecimento sobre a SMD na busca por uma cura — motivação suficiente para o grupo aderir.

    Rykkgnaw, ou apenas Rykk, um draconiano enviado de Triaxus, chegou ao espaçoporto akitoniano naquela manhã, após os demais já terem se reunido e recebido a designação da missão. Essa designação, no entanto, estava criptografada e só seria revelada ao grupo completo.

    Rykk desembarcou e foi recebido pelos quatro voluntários, todos comprometidos com a busca por uma cura para a SMD. O emissário se mostrou atencioso, deixando claro que sua intenção era colaborar. Assim que todos se apresentaram, a designação da missão foi atualizada com novos dados:

📡 Briefing de Missão — IC-7

Missão: Extrair dados sensíveis do Laboratório IC-7.

Designação: Extração de dados da Instalação Científica de Pesquisa IC-7.

Localização: Deserto de Akiton, quadrante 41-B. A IC-7 é uma instalação subterrânea disfarçada, escondida nas montanhas de um desfiladeiro remoto.

Alvo: Arquivos de pesquisa mais recentes, obtidos a partir do servidor central da estação. A Aliança Solar recebeu a informação de que os cientistas da IC-7 fizeram um avanço significativo no estudo da SMD, mas se recusaram a compartilhar os dados.

Exigências para o grupo: Pelo menos um piloto habilidoso, um especialista em invasão de sistemas, um negociador e um soldado competente para o caso de o plano sair do previsto.

Estrutura da missão

A IC-7 possui defesas físicas e eletromagnéticas. Drones de contenção patrulham a área, e barreiras controladas por satélite mantêm a vigilância constante. Para obter sucesso, o grupo precisará atuar em várias frentes:

Frente 1: Ataque Satelital

Uma aeronave ágil será fornecida ao piloto do grupo, que deverá, pelos meios que julgar necessários, desativar a rede de satélites de baixa órbita que mantém a IC-7 operacional. Essa rede possui cinco satélites, sendo um deles uma estação espacial com cientistas a bordo. A destruição ou desativação cortará a comunicação da base com o exterior.

Os satélites possuem sistemas de defesa leves e patrulham uma área monitorada por frotas comerciais. O ataque deve ser discreto, preferencialmente via invasão de sistemas, evitando chamar atenção das autoridades de Akiton.

Frente 2: Distração Terrestre

Um ou mais designados deverão provocar um ataque coordenado contra a IC-7 ou encontrar outra forma de distrair as defesas terrestres. O objetivo é engajar a força defensiva composta por dez drones autônomos de segurança, equipados com armamento não letal, criando uma janela de oportunidade para a próxima frente.

A ofensiva deve parecer um ataque de bandoleiros locais para não levantar suspeitas excessivas.

Frente 3: Invasão e Extração

Um ou mais designados deverão entrar na IC-7, localizar o servidor central, conectar o disco de dados fornecido pela central da missão e aguardar o carregamento completo. O dispositivo pode burlar qualquer chave de segurança.

Não são esperadas defesas internas, mas o grupo deve estar preparado para imprevistos.

Plano de Fuga

Após a extração, o grupo deverá se reunir no ponto de encontro, em distância segura. Garig providenciará uma rota de saída não convencional.


Partindo para a missão

    O grupo foi conduzido ao hangar de partida na base solariana. Lá estavam a aeronave em que Edric e Flynn embarcariam e o helicóptero que transportaria o restante do grupo.

    O voo até os arredores da base durou apenas alguns minutos. O deslocamento até a órbita de Akiton e a aproximação da área de observação dos satélites não demorou muito mais.

Ataque aos satélites

    Edric iniciou a aproximação e logo percebeu que os sensores tentavam obter mais informações sobre sua nave. Ele ativou uma proteção contra as leituras e, simultaneamente, conseguiu extrair dados valiosos dos computadores, não tão bem protegidos, dos satélites. No entanto, à medida que demorava a responder às mensagens enviadas pela estação, percebia que o momento de uma possível retaliação se aproximava.

    Flynn atendeu a ligação recebida da estação espacial. A anã perguntou o que eles faziam ali, e o solariano conseguiu convencê-la de que o piloto da nave estava com problemas. Preocupada, ela afirmou que enviaria uma equipe de apoio. Antes que isso ocorresse, porém, Edric conseguiu desativar duas das cinco estações de pesquisa. Com a queda parcial de energia, o grupo em solo teria pelo menos duas horas para cumprir sua parte.

Ação no solo

    Rykkgnaw, Hothspoth e Kassius desembarcaram a cerca de dois quilômetros da IC-7, perto de uma rodovia. Caminharam por alguns minutos até alcançarem os limites da vigilância eletromagnética, aguardando a conclusão da missão orbital.

    Assim que receberam o comando de Edric, Rykk avançou contra os drones, atraindo a atenção das máquinas e câmeras. O draconiano foi atingido por descargas de taser, mas conseguiu manter a distração por algum tempo. Kassius também se envolveu no combate, enquanto Hothspoth correu até a entrada do laboratório.

    Rykk não resistiu por muito tempo ao ataque e, para ampliar a distração, disparou contra transformadores de energia próximos. As chamas se espalharam, obrigando a IC-7 a acionar geradores auxiliares. Logo depois, Rykk foi paralisado pelos tasers e precisou ser resgatado por Kassius. Os drones, ocupados em conter o incêndio, não impediram a retirada do draconiano.

A instalação de pesquisa

    Hothspoth invadiu a instalação e encontrou-se em um corredor com portas e um jardim interno. Seguiu abrindo portas e conectando o disco de dados em computadores, mas seus ruídos chamaram a atenção de alguns cientistas. Por sorte, um funcionário desatento não deu importância quando ele afirmou ser um bombeiro carregando um extintor.

    Ao entrar em um laboratório onde um cientista examinava um paciente de SMD, Hothspoth ativou sua armadura solar, intimidou o cientista e inseriu o disco de dados no computador, copiando arquivos secretos sobre o paciente. Antes de partir, resolveu abrir mais uma porta — e encontrou o servidor central que procurava.

    Hothspoth conectou o disco, viu o painel mostrar o código de segurança sendo burlado pelo software, ameaçou os cientistas que presenciaram a invasão e, assim que a cópia foi concluída, pegou o dispositivo e saiu rapidamente.

    O grupo se reuniu novamente do lado de fora da IC-7 e seguiu até o ponto de encontro, pronto para entregar os resultados a Garig.

 

domingo, 3 de agosto de 2025

(LA) Sessão 4

A Jornada que Começa

O Mediador

    Amistel se aproximou dos aventureiros para uma despedida. O elfo disse que não tinha a intenção de seguir uma profecia sem sentido e que partiria com seu novo cavalo. Ele deixaria os dois alforjes que obteve na negociação para o grupo, como retribuição por eles terem o ajudado a chegar até ali. Depois disso, ele seguiu viagem para o norte.

    O Guia, que havia reconhecido o couro mostrado por Thirna como um dos pertences de seu companheiro perdido, Thal, fez mais perguntas à caçadora sobre como aquele objeto foi parar nas mãos dela. A mulher disse que a troca foi feita há um ano e que não havia notado nada de especial no objeto. No entanto, ela falou que o mediador daquela negociação fora um napol que estava de passagem pelo vilarejo de Odrenvil naquele momento. Tratava-se de Darion, e ele poderia ser encontrado na casa grande.

    O Guia e os outros foram juntos em busca do tal napol. Ao chegarem à casa grande, o encontraram bebendo um vinho junto com um dos locais. As interrogações do Guia logo afastaram o aldeão, e o grupo manteve uma conversa particular com o viajante. Ele revelou ser um comerciante dos Mangues que, em algumas ocasiões, fazia serviço de mediação. Sobre a peça de couro, especificamente, soube informar que ela pertencera a um elfo sombrio em Telas chamado Cedricen, mas que a obtivera por meio de um escravo humano com o qual teve contato.

    As informações sobre o elfo despertaram ainda mais o interesse do Guia, mas Darion não tinha muitas dicas para dar naquela posição. Ele revelou, no entanto, que poderia encontrar Cedricen mais uma vez, caso fosse até Telas. Como o grupo se dirigia para lá e ele era um viajante daquela região, resolveram todos partirem juntos para o sul.

    Darion revelou ser um sacerdote de Pi-Toutucam, o deus do comércio e da diplomacia, conhecido em outras partes de Tagmar como Cambu. Ele é um abençoado pela divindade, e seus poderes seriam úteis para o restante do grupo.


As Despedidas

    Olgaria estava decidida a acompanhar os aventureiros rumo à Uno, mesmo com o Guia sugerindo que ela seria um peso. A humana se despediu de sua irmã em um tom de adeus, mas também com esperança. Depois, levou Garuk até Ormar, o ferreiro. O trabalhador rabugento não reclamou tanto quanto da outra vez e pareceu um pouco ressentido pela partida de sua companheira de aldeia. Assim, trouxe para Garuk um machado ornamentado, com um acabamento muito superior àqueles que tradicionalmente foram vistos pelos outros zumis. Tratava-se de um machado de batalha comum, com lâmina de obsidiana muito afiada, mas cujo acabamento o fazia parecer algo superior. O sekbete saiu deslumbrado com a “recompensa” e agradeceu Olgaria pela intermediação.

Com todos os preparativos realizados, e considerando o horário avançado do dia, os aventureiros resolveram seguir até o posto avançado zumi e aguardar a manhã para iniciar a longa jornada até Telas. Assim, partiram com um tempo agradável para as terras geladas em que se encontravam e seguiram por dois dias.


O Resgate

    O terceiro dia de viagem marcou uma virada no clima. A neve começou a cair e os aventureiros presenciaram outro tremor de terra. Não foi tão intenso como aquele que os pegou de surpresa no desfiladeiro, mas ainda assim era o segundo em menos de uma semana. Desta vez, a localização dos viajantes era segura, mas eles puderam ver deslizamentos nas montanhas distantes.

    Sob uma visibilidade ruim, o Guia sentiu o faro de humanos. Ele alertou os aventureiros e seguiu na frente com Darion, já que o sacerdote afirmou que seria capaz de intermediar uma possível conversa.

    O Guia e Darion chegaram a um penhasco. Abaixo, perto de um lago congelado, viram dois humanos ruivos cercados por outros quatro humanos mais baixos, de cabelos pretos. Eram claramente oriundos de tribos diferentes.

    Os humanos sob ameaça eram um homem alto e corpulento e uma mulher também alta, mas que se dedicava a proteger uma criança sob sua capa. Darion resolveu intervir e tentar acalmar os ânimos. O napol voou até o centro do campo de batalha e pediu a palavra, apelando para o bom senso dos agressores.

    Não deu certo. Os guerreiros de cabelos pretos atacaram o napol, que se pôs na defensiva, mas logo também se viu obrigado a contra-atacar com seu arco e flecha. Olgaria chegou em seguida à beirada da ladeira e disse que os guerreiros de cabelos pretos eram Lazúlis, ou Azuis, um grupo quase sempre violento, e os de cabelos vermelhos eram dos Rúbeos, mais amigáveis. A jovem conseguiu descer com cuidado pelo rochedo e atacou um dos Lazúlis.

    O Guia também partiu para o ataque. Ele desceu a ladeira e se misturou na batalha. O mesmo fez Garuk, saltando pelos cinco metros de penhasco direto para cima de um dos inimigos. Rector permaneceu na retaguarda enquanto Sombra avançava para proteger a mulher depois que o homem que a protegia foi nocauteado com uma pancada na cabeça.

    O combate durou alguns minutos. A mulher e a criança fugiam do local mais intenso e buscavam abrigo perto de Rector. Enquanto isso, os outros conseguiam, aos poucos, dominar os inimigos. Olgaria e Darion tinham mais sucesso em agredir os inimigos, talvez pela letargia que o frio aplicava aos sekbetes.

    Quando um dos Lazúlis caiu sob o lago congelado e outros dois foram mortos pelos aventureiros, o último sobrevivente tentou fugir. Ele correu o mais rápido que pôde, mas uma flechada certeira de Darion o atingiu pelas costas. O risco de deixar alguém escapar era muito alto.

 


A Tribo Vermelha

    Os aventureiros perceberam que o rúbeo nocauteado estava vivo. Ele havia sofrido uma pancada forte, mas não corria risco de vida. Os objetos encontrados com os inimigos sugeriam que eles eram canibais. Uma mão humana dissecada foi encontrada como uma espécie de troféu com um deles. Assim, Garuk retirou o lazúli que caiu no gelo para ser interrogado. O grupo obteve a informação de que a tribo Azul estava a um dia à oeste, em uma direção diferente daquela que eles estavam viajando. Não tendo mais utilidade para o inimigo, o grupo o matou.

    A mulher resgatada se apresentou como Mágmar. A criança tinha uma aparência bem diferente dela e do homem grande, e ela a chamava Ingá. O menino não disse uma palavra na presença dos aventureiros, mas Mágmar falava bastante. Ela disse que o homem ferido era Nial e que eles estavam em busca de uma caverna melhor para sua tribo. No retorno para avisá-los que a haviam encontrado, foram atacados pelos Azuis.

    Os aventureiros foram convidados a irem até sua tribo em retribuição por tê-los salvado. A mulher fez questão de que eles a acompanhassem. A jornada até a nova caverna, depois de terem avisado o restante dos peregrinos vermelhos, foi de algumas poucas horas. Todos estavam abrigados antes do anoitecer.

    Quando tiveram uma oportunidade de conversar com mais calma, os aventureiros ficaram intrigados com a presença daquela criança com Mágmar e seu companheiro. Ela era diferente tanto dos dois quanto do restante da tribo: era loira, um pouco menor e com feições que mais lembravam os zumis. Olgaria também ficou intrigada com a criança, mas não lembrava de nenhuma criança desaparecida há cerca de um ano, quando Mágmar revelou que a havia salvado de um grupo de Lazúlis.

    Antes que a conversa prosseguisse por mais tempo, já com a noite plena, os aventureiros sentiram outro tremor, desta vez mais forte. O Guia apressou-se para identificar possíveis pontos de desmoronamento na caverna em que estavam, mas o local era seguro. Assim que o susto passou, eles ouviram dos Vermelhos que “O Mal-Sob-O-Gelo está mais forte do que nunca”.

Acampamento Rúbeo, Geleiras, dia 16 do mês da Paixão do ano de 1502, data dos reinos.

terça-feira, 29 de julho de 2025

(RR) Sessão 30

Caçada pervertida

A falsa segurança

     Jean, Dannael, Torlam e Urodam estavam em frente ao celeiro que Kazimir havia oferecido para que passassem a noite. O grupo estava bastante desconfiado do celeiro completamente fechado e da tranca externa que a estrutura possuía. No entanto, após analisar cuidadosamente toda a construção, Dannael não viu nada de anormal. O mago percebeu que havia uma área de ventilação no topo lateral e conformou-se com a condição.

     Urodam resolveu ajudar Kazimir a arar a terra antes do pôr do sol. Ele tomou o arado do filho do fazendeiro e realizou as tarefas, enquanto era interrogado sobre suas façanhas do passado. O orc não pareceu muito confortável com as perguntas e logo tratou de desconversar, perguntando sobre o que os aldeões daquele lugar costumavam plantar.

     A esposa de Kazimir trouxe-lhes uma sopa quente assim que o sol se pôs. No entanto, a Pedra da Liderança havia escolhido Klaus como o comandante do grupo naquele momento, e os aventureiros decidiram partir em busca da criatura antes de descansar.

     Os aventureiros foram até o templo de Abadar, onde foram recebidos com desconfiança pela sacerdotisa Amélia. A mulher disse que Klaus estava dormindo após beber algumas taças com ela, e autorizou apenas Jean a entrar. O gnomo se dirigiu ao quarto e confirmou que o campeão dormia profundamente. Sem conseguir despertá-lo, Jean pegou a pedra entre os pertences do campeão e deixou o templo.

     Embora o sono profundo de Klaus tenha deixado o grupo um pouco desconfiado, não seria surpresa que ele tivesse aproveitado o raro encontro com uma sacerdotisa de sua divindade para comemorar. Portanto, os aventureiros retornaram ao celeiro e aproveitaram a sopa fresca que a esposa de Kazimir havia trazido mais uma vez.

     O celeiro era um local relativamente limpo. O cheiro de feno fresco e silagem tomava o ambiente, mas também o mantinha em uma temperatura mais amena em relação ao exterior. O grupo teria um bom local para descanso. Porém, assim que as portas foram fechadas, viram uma barreira mágica ser erguida ao seu redor. Não havia mais como sair.

     Preocupado com o que poderia acontecer, Torlam tentou escalar as treliças do celeiro e buscar uma saída por onde Dannael havia comentado existir ventilação. No entanto, a saída estava bloqueada por grades, além da própria barreira mágica. Mesmo assim, ele pôde ver o movimento de pessoas aumentando no exterior. Os aldeões pareciam preparar uma fogueira dentro de uma plataforma de cerâmica.

     Jean usou a lamparina encantada encontrada nas ruínas do moinho para enxergar do outro lado. Antes que ela pudesse focar completamente, ele ouviu os aldeões falando sobre um sacrifício e sobre a proteção de Abadar.

     Estava claro que Klaus seria sacrificado. Pelas conversas ouvidas em fragmentos, a oferta seria para aplacar a fúria de Abadar.

Um herói do passado

     Klaus foi despertado por Amélia Moons, amarrado a uma cama. Ele estava bem preso e não conseguia se libertar facilmente, por mais que se esforçasse.

     A sacerdotisa começou tentando acalmá-lo. Perguntou se ele havia lutado na guerra contra Brevoy naquela região, e depois se Klaus lembrava-se dela. O campeão hesitou por alguns instantes, pois nada lhe veio à mente.

     Em seguida, a sacerdotisa continuou com palavras sobre o passado. Disse que demorou algum tempo para reconhecê-lo, devido à aparência envelhecida do campeão, mas finalmente o identificou após observá-lo com atenção.

“Eu me lembro do cheiro de fumaça e sangue queimado nas ruínas da minha vila. Meu pai estava caído, e minha mãe me agarrou e tentou correr, mas tropeçamos. Foi naquela hora que vi você: o escudo amassado de tanto aparar golpes e aquela insígnia brilhando no peito. Você não hesitou. Apenas gritou para a gente abaixar quando um soldado de Pitax veio com a lâmina erguida. Você se jogou entre nós e o soldado. No fim, foi você quem me carregou do meio da confusão. Aquilo ficou comigo desde então.”

     Amélia parecia consternada e, ao mesmo tempo, envergonhada. Klaus continuava tentando se libertar, apelando para que a sacerdotisa o soltasse. A mulher pediu que ele se acalmasse e reforçou as cordas antes que ele conseguisse se livrar sozinho.

“Você não será sacrificado, Klaus. Por mais que parte da vila espere por isso… não consigo. Mas preciso que entenda por que essa tradição cruel se manteve. Não foi só superstição ou medo.

Há décadas, a Quimera aterroriza Pedra Rasa. Antigamente, ela vinha a cada cinco anos, como se apenas reafirmasse domínio. Mas agora, Klaus... ela sente fome todo ano. Às vezes, parece que nem isso basta.

Não é um monstro qualquer. Ela é inteligente. Nos observa. Exige que ofereçamos guerreiros de verdade — gente capaz, armada, preparada. Ela quer provar seu poder diante dos melhores que podemos mandar ao fogo.

Não faço isso por devoção, Klaus. Eu vi o que acontece quando tentam enganar a Quimera. Vi famílias inteiras dizimadas. Só mantemos a aldeia de pé porque aceitamos isso.”

     Klaus não parecia comovido com as palavras da sacerdotisa, embora ela estivesse emocionada ao vê-lo novamente. Ela propôs, enfim:

“Klaus… Eu não posso deixar que seja você, não depois do que fez por mim e pela minha família naquela guerra. Mas também não posso simplesmente desafiar décadas de tradição e o medo que mantém esta aldeia viva.

O máximo que posso oferecer é uma escolha difícil — talvez cruel. Em respeito ao passado, à sua coragem e ao que representa para mim, proponho uma alternativa: um de seus companheiros pode tomar seu lugar no ritual. Só um.”

     Ouvindo a proposta, o campeão permaneceu indignado com sua situação. Disse que não entregaria ninguém, e que ele deveria ser, então, o sacrificado. Amélia, ouvindo isso de seu salvador do passado, respondeu:

“Eu deveria saber que você não entregaria um de seus companheiros, e que se sacrificaria por eles.”

     Ela explicou, mais uma vez, que o sacrifício para a Quimera era necessário, imprescindível, pois não havia como aplacar sua fúria. Acreditando em seu herói, Amélia perguntou se, caso libertasse Klaus, ele cumpriria sua parte e permitiria ser sacrificado em nome dos aldeões de Pedra Rasa.

     O campeão de Abadar confirmou. Amélia soltou suas amarras.

O profano que se ergue

     Conforme a lamparina sintonizava o exterior do celeiro, Jean e os outros puderam ter uma visão melhor do que acontecia, até que os aldeões que circulavam o lugar também passaram a vê-lo e ouvi-lo pela janela mágica que o poderoso artefato criou.

     Jean começou a discursar, dizendo que Abadar não aceitava sacrifícios. Enquanto um aldeão dizia para seus companheiros não darem ouvidos aos prisioneiros, pois logo a criatura chegaria, outros mantinham conversas paralelas que acabaram revelando que o sacrifício não era para Abadar, como o grupo supôs inicialmente, mas sim para aplacar a fúria da Quimera.

     Assim que descobriram a verdade, os aventureiros mudaram seu discurso. De tentar convencer os aldeões de que Abadar não aceitava sacrifícios, passaram a tentar convencê-los de que poderiam lidar com o monstro que assolava o vilarejo.

     Foi Jean quem coordenou a negociação. O gnomo não sugeriu em momento algum que os aventureiros estavam atrás da Quimera antes do encontro em Pedra Rasa. Na verdade, ele desconversou o assunto iniciado por Torlam, que revelaria que estavam atrás da criatura por um prêmio. Em vez disso, tentou mostrar que fariam isso apenas pelo bem do povo.

     Os aldeões estavam divididos entre aqueles que não conseguiam se desprender da tradição de tantos anos e aqueles que depositaram esperança nos aventureiros, sobre os quais boatos de grandiosidade se espalharam rapidamente pela pequena e simples vila. Por fim, optaram por consultar a sacerdotisa Amélia, a guia espiritual da aldeia.

     Enquanto muitos aldeões partiram enfileirados para o templo de Abadar, alguns jovens permaneceram ao redor do celeiro, conversando com os aventureiros. Jean conseguiu convencê-los a libertá-los, em troca da promessa de matarem a Quimera.

     O grupo partiu para o templo de Abadar assim que saiu do celeiro. Estavam um pouco atrás da multidão de aldeões indecisos, mas puderam escutar um grito agudo de pavor vindo do templo. Jean reconheceu a voz: era Amélia Moons.

     O templo de Abadar estava cercado por aldeões paralisados. Jean entrou por entre o povo, enquanto os outros abriam caminho pela multidão. Ao alcançar a porta do quarto onde vira Klaus pela última vez, Jean viu o campeão se arrumando e Amélia sentada sobre a cama, ferida e em choque. Os aldeões estavam catatônicos, e a cena do que ocorrera não precisava ser descrita. Klaus havia cometido um crime, e Abadar o abandonara.

     Amélia Moons passou pela multidão dizendo que Klaus seria sacrificado, o que foi confirmado pelo próprio campeão. Jean conversou com a sacerdotisa para certificar-se de que ela tinha certeza do que faria. Ela foi incisiva: a proteção dos aldeões em primeiro lugar.

     Klaus foi sacrificado naquela noite. Amordaçado e amarrado, não teve chance de reação contra a fera que chegou ao vilarejo. Os outros aventureiros, aproveitando-se da distração da criatura, tiveram a oportunidade de desferir o primeiro golpe no combate que se seguiu.

     Este foi o último relato sobre os aventureiros que seguiram o campeão de Abadar.

Reinos Fluviais, vila de Pedra Rasa, dia 25 de Gozran de 1424.

domingo, 27 de julho de 2025

(LA) Sessão 3

O Chamado da Anciã

Descida Difícil

    O grupo deixa o túnel da montanha e se depara com o grande vale verde onde se situa Odrenvil, o vilarejo Zumi para o qual se destinam. No entanto, eles ainda se encontram nas montanhas, em uma estreita beirada que tangencia a montanha e desce lentamente até a trilha abaixo.

    Rector alça voo imediatamente para explorar o ambiente aberto e limpo, como há muitos dias não presenciava. Enquanto isso, algo no chão chama a atenção do Guia. Olgaria comenta com o grupo que há um posto avançado Zumi a pouco mais de uma hora da localização atual deles.

    Enquanto o Guia detecta sinais de que mais de uma dúzia de orcs passaram pela mesma trilha há pouco tempo, Rector depara-se com um grupo grande, de pelo menos 30, mais acima em uma plataforma na montanha. O napol é alvejado por algumas flechas e contra-ataca. No entanto, ele não retorna imediatamente para o grupo, pois tenta distrair a atenção deles e não entregar a posição de seus companheiros. O Guia, enquanto isso, trata de apressar seus companheiros, na esperança de que todos cheguem no posto avançado antes que os orcs os encontrem.

Caçada na Montanha

    Uma fuga tensa tem início na perigosa beirada da montanha. O boi que puxava a carroça esforçava-se para alcançar sua velocidade máxima, mas o terreno acidentado dificultava o trabalho. Enquanto isso, o Guia preparava o terreno para atrasar os perseguidores com seus poderes.

    Rector não foi capaz de ludibriar os inimigos e precisou retornar para a comitiva antes de se ferir. Porém, os orcs levaram quase trinta minutos para avistar o grupo de aventureiros na beirada. Quando isso ocorreu, o batedor tocou uma corneta de ossos que ressoou pelo vale.

    Os orcs atacaram os aventureiros de várias formas. Quando tentaram atirar rochas de um ponto mais alto da montanha, foram alvejados por Rector, que conseguiu distraí-los e conceder tempo para o grupo atravessar o ponto de ataque.

    Quando avistaram o pelotão orc, o Guia resolveu invocar uma habilidade animal para ampliar sua velocidade e ir até o posto avançado para convocar reforços. Ele sabia que a única chance dos aventureiros seria se angariasse apoio dos Zumis.

    O encontro do Guia com o posto avançado Zumi por pouco não acabou em tragédia. Os arqueiros estavam perto de alvejá-lo quando ele gritou os nomes de Iuna e Olgaria, fazendo-os baixar as armas. Thirna e Erman, os dois caçadores que comandavam o pelotão no posto avançado, fizeram seus subordinados se prepararem rapidamente e subiram a ladeira. O Guia, mais rápido, foi na frente e logo conseguiu retornar para seus companheiros.

    Uma parte dos orcs alcançou o grupo antes que o reforço chegasse. O confronto na beirada foi brutal. Garuk tomou a dianteira e conseguiu resistir bravamente até o retorno do Guia. Um dos orcs foi derrubado ladeira abaixo, mas Rector também se feriu durante a batalha.

    Os orcs recuaram assim que viram os guerreiros Zumis subindo a cornija. Olgaria e Iuna correram ao encontro de seus compatriotas dizendo "Tio Erman", revelando que um dos comandantes era seu parente.

    Os guerreiros Zumis receberam bem os aventureiros. Eles foram levados até o posto avançado e convidados a pernoitarem ali para recuperarem-se da longa viagem. No entanto, como se tratavam de mais três horas de caminhada até Odrenvil, o Guia e os outros resolveram seguir viagem e concluir o longo caminho desde Nesfes.


O Sussurro da Aurora

    O grupo entra em Odrenvil e é levado imediatamente para a presença de Herda, a anciã. Ela vê o grupo com expectativa e logo revela uma conexão espiritual que já os anunciara antes de sua chegada. Segurando um amuleto com um pálido brilho vermelho que ela carregava em seu peito, Herda olhou fixamente para cada um dos aventureiros. O objeto que ela carregava era muito semelhante, ou talvez igual, àquele que o Guia havia obtido de Dagomir.

    Garuk revelou o prisma cristalino para a anciã, fazendo-a mencionar uma "Aurora Gelada". Conforme Herda, este é o nome de uma divindade ancestral adormecida que estava prestes a despertar.

    Herda contou ao grupo a lenda da Aurora Gelada. Esta lenda dizia que ela era uma divindade de luz que nasceu do coração das Geleiras e do orvalho das primeiras auroras; que era a mãe que despertava o mundo do inverno; que possuía um coração pulsante, um prisma cristalino que irradiava o calor e as cores do amanhecer. Segundo a lenda, as geleiras tiveram vales verdes, como aqueles em que eles se encontravam, e o despertar dela, que dava sinais de estar próximo, poderia trazer tudo isso de volta.

    Quando a Aurora Gelada deixou o mundo, seis fragmentos de cristal ficaram para trás. Estes fragmentos Herda chamou de Corações d'Aurora. O amuleto dela era um deles, e tudo indica que aquele que o Guia obteve de Dagomir era outro. Conforme a história, cada Coração d'Aurora possuía um poder inerente a ele, como o dela, que lhe permitia ver o futuro.

    Herda sugeriu que os aventureiros, os quatro, eram parte de uma composição maior que ajudaria a trazer a Aurora Gelada de volta para este mundo. No entanto, o Guia estava claramente cético quanto a isso. Garuk e Amstel ficaram indiferentes, enquanto Rector pareceu um pouco surpreso, embora ainda receoso.

    Os aventureiros foram para uma residência preparada por Olgaria e exigiram seus pagamentos. A Zumi lhes deu dois cavalos e disse que pela manhã eles poderiam conversar mais.

    Durante a madrugada, o Guia deixou a casa em que estavam para refletir sozinho sobre o galho de uma árvore. O sekbete pegou o Coração d'Aurora que Dagomir lhe presenteara e tentou extrair dele alguma energia, mas nada aconteceu. Qualquer que fosse o poder que aquele objeto possuísse, se o possuísse, ainda não estava desperto.


Para os Ventos do Sul

    Os aventureiros saíram todos juntos pela manhã, com exceção de Rector, que ficou para trás em sua casa dos sonhos. O napol aproveitou para voar livre pelos campos depois que os outros deixaram a casa. Ele foi até um rio ao oeste da cidade e deslumbrou-se ao ver que o vale era fértil como nenhum outro lugar no entorno daquelas terras geladas.

    Enquanto isso, Amstel conseguiu um acordo melhor com Erman. Ele trocou seu boi e sua carroça por mais um cavalo e três conjuntos de alforjes para os animais que agora possuíam. Isso lhes permitiria carregar quase tanto peso quanto já estavam carregando com a carroça, mas os tornaria mais ágeis.

    Olgaria levou os outros dois para encontrar Ormar, o ferreiro, para que ele pudesse fornecer um punhal para o Guia. Garuk ainda não havia recebido um prêmio individual, e alegava que ainda precisava de uma recompensa.

    Rector retornou de seu passeio direto para encontrar a anciã. Neste encontro, Herda teve uma nova visão. Ela disse que a Aurora Gelada estava despertando e que uma voz antiga dizia que os aventureiros deveriam ir para Uno. Ela mencionou que a cidade era o lugar onde o coração original repousava e onde todos os fragmentos de Corações d'Aurora poderiam ser reunidos, permitindo que o mundo se lembrasse novamente da Aurora Gelada.

    Olgaria, Garuk, Amstel e o Guia foram chamados de volta para se encontrarem com Herda assim que ela teve a nova visão. O grupo se reencontrou na presença da anciã, e ela disse que a missão fora dada a eles, e que não havia o que eles pudessem fazer para escapar dela. No entanto, o Guia permanecia cético. Os outros, no entanto, pareciam estar dispostos a aceitar a jornada.

    Assim que Herda terminou, Olgaria disse que faria a jornada. Herda disse que ela não fazia parte da mensagem que ela recebera, mas a jovem ignorou. "Eu achei o cristal", dizia ela, alegando que também fazia parte do destino grandioso de despertar a Aurora Gelada.

    Os aventureiros estavam deixando a presença de Herda quando ela disse ao Guia: "procure Thirna, ela tem algo que vai despertar seu interesse".

    Thirna estava arrumando toalhas bem tecidas em um varal quando o grupo a encontrou. Olgaria disse que a anciã havia enviado o Guia ali, pois ela deveria ter algo do interesse dele. A caçadora ficou surpresa e disse não saber do que ela estava falando. No entanto, enquanto fazia isso, ela revelou, debaixo de uma das toalhas que arrumava, um tecido em couro que fora parte de uma armadura. Este tecido tinha o símbolo de Aymon Ghevra, o mestre do Guia. O sekbete pediu a peça imediatamente. Ao pegá-la, sentiu o cheiro de seu amigo Thal, por quem procurou por anos.

    A conversa com Thirna prosseguiu por mais alguns instantes. O Guia estava muito interessado em saber onde ela havia encontrado aquele pedaço de armadura, e a caçadora disse que estava com ela desde o inverno passado, quando trocou com alguns mercadores de Telas, ao sul.

    Com a nova descoberta, o Guia decidiu: ele acompanharia o grupo na jornada até Telas, embora tenha tentado desmotivar Olgaria a fazer o mesmo. Não adiantou. O grupo que partiria em uma jornada pelo despertar da Aurora Gelada era Garuk e o Guia, sekbetes, Rector, o napol, Amstel, o elfo, e Olgaria, a humana.

Odrenvil, dia 11 do mês da Paixão de 1502 DC, data dos reinos.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

(EE) Sessão 07

Novo Acordo com Arturus

Crise iminente

    O estado de saúde de Van se deteriorava rapidamente, colocando-o em perigo iminente. Contudo, ele não era o único em situação delicada. À medida que o suporte psíquico do qual Star havia se beneficiado se esvaía, sua força vital também diminuía. Logo, TR se viu com dois companheiros em estado de coma.

    Como a situação de Star era menos grave que a de Van — o guerreiro psi encontrava-se no limiar entre o coma e a lucidez — TR resolveu atendê-lo primeiro. Com uma comunicação psíquica e o uso dos equipamentos médicos disponíveis no veículo, Star pôde ser salvo e despertar por alguns instantes. Tempo suficiente para ele canalizar sua energia psíquica, já recuperada, e usá-la para regenerar seu corpo ferido.

    Van não teve a mesma sorte. Seu estado era pior, e o grupo precisaria levá-lo para um especialista. James estava retornando da atmosfera após a tempestade ter diminuído e comunicou ao grupo que havia pousado na entrada da caverna.

    Sem o piloto titular para comandar o veículo, Tiago Robertos assumiu o volante do VTT e o conduziu o mais rapidamente possível para fora da caverna. O caminho era estreito e sem muitas oportunidades de desvio, mas os solavancos contra as paredes e as passagens rápidas sobre superfícies irregulares tornaram a viagem extremamente turbulenta e desconfortável. Van, que já se encontrava ferido, ficou ainda mais perto do fim.

    O grupo embarcou rapidamente na Imperatriz Errante. James acionou os motores e decolou para a órbita. Decisões precisaram ser tomadas rapidamente. Os viajantes discutiram acirradamente sobre como e para onde levar o companheiro ferido, e acabaram concluindo que Arturus seria a melhor chance.

 

domingo, 20 de julho de 2025

(LA) Sessão 2

A jornada até Odrenvil

Preparativos e Descobertas

    Após escutarem a mensagem que Hêrda havia enviado através de Olgaria, o grupo discutiu como levariam a jovem e sua pequena irmã até Odrenvil. A moça havia desistido de levar a mensagem até Batel'Mór, em razão da descoberta do prisma misterioso, e o grupo a escoltaria de volta para casa. No entanto, por causa do horário, resolveram dar o dia por encerrado para descanso e continuar na manhã seguinte.

    Garuk e Rector tinham seus próprios afazeres, como juntar suprimentos para a viagem, mas o Guia ainda estava curioso pelo tesouro que Dagomir estava disposto a arriscar a própria vida para resgatar na tempestade do dia anterior. Assim, ele foi até a casa rural do ancião.

    O Guia foi recebido na casa de Dagomir pela filha dele. Reunido com o homem que fora resgatado por ele quase sem vida no dia anterior, os dois se dirigiram para o local do encontro: o armazém aos fundos da casa principal. Chegando lá, o Guia pediu que Dagomir revelasse qual era o tesouro de tanto valor que o homem arriscou a própria vida para proteger. Um pouco desconcertado, o ancião lhe agradeceu pelo que fez e disse para ele pegar uma caixa oculta sobre o teto.

    O sekbete pegou a caixa e percebeu que a chave que ele carregava era capaz de abri-la. O próprio Guia abriu a fechadura e, dentro da caixa, viu um amuleto pouco menor do que a palma de uma mão, que ostentava em seu núcleo uma pequena pedra muito semelhante ao prisma encontrado. O cristal brilhava da mesma forma que o objeto misterioso que Olgaria desejava mostrar para sua anciã.

    Muito interessado, o Guia perguntou para Dagomir onde ele havia encontrado aquele objeto. O ancião disse que a havia encontrado no alto de uma montanha, na divisa com as Geleiras, há quase 40 anos. Ele disse que guardou o objeto por achá-lo especial, mas agora o presenteava para o Guia. Os acontecimentos do dia anterior o fizeram perceber que aquilo era apenas uma pedra, e que ele possuía outras coisas de valor.

    O Guia ficou com o objeto e o levou de volta para Rector. Os dois perceberam que o medalhão parecia reagir à presença do prisma. Ele vibrava e ficava mais quente, além de emitir um brilho mais intenso. No entanto, o prisma não parecia esboçar qualquer reação. Intrigados por terem encontrado dois objetos tão raros, mas do mesmo material em tão pouco tempo, os dois resolveram guardá-los para si. O Guia protegeu o medalhão em sua armadura, e Rector protegeria o prisma.

    Durante a noite, no plano particular de Rector, ele teve tempo para analisar melhor o prisma. Ele notou que o tênue brilho que emitia parecia mais frágil dentro daquele plano. A aura que emanava também parecia mais branda. A sensação retornaria quando o prisma deixasse a casa dos sonhos do napol.

    Já no dia seguinte, antes de partirem, o grupo resolveu pedir o apoio do elfo Amstel, um comerciante de lâminas que viajava pelas Terras Selvagens e que acabara preso na nevasca como os outros. Ele tinha chegado na mesma caravana que Garuk viera protegendo, e ambos já se conheciam razoavelmente. Amstel possuía uma carroça, o que, segundo o Guia, seria mais adequado para transportar as "humanas magrelas". O elfo aceitou ser pago na chegada em Odrenvil e seguiu viagem com o grupo.


A Jornada e o Perigo Lupino

    O grupo deixou Nesfes com clima ameno, ao menos comparado com o rigor dos dias anteriores. O gelo ainda era predominante, mas o vento não cortava como nos dias anteriores. O terreno, no entanto, ficava cada vez mais difícil.

    A jornada até Odrenvil tinha previsão de 7 dias. No entanto, no terceiro, o grupo foi abordado por uma alcateia de lobos famintos. Os animais haviam sido percebidos pelo Guia com alguma antecedência, mas não havia como convencê-los a desistirem da caça. Pelo menos não por meios normais. Um confronto foi inevitável.

    Os lobos começaram atacando um dos bois da carroça. O animal se assustou e contra-atacou. O movimento brusco fez a carroça se inclinar com violência, e Amstel, o condutor, e Iuna acabaram sendo arremessados para longe. Olgaria agarrou-se firme e se manteve sobre o veículo. A jovem saltou para a posição de condução assim que se reequilibrou para tentar reassumir o controle dos animais.

    Enquanto isso, Amstel fora atacado por um lobo. O animal o abocanhou no braço, ferindo seu membro. Iuna também fora atacada, mas a pequena conseguiu escapar para baixo da carroça com agilidade.

    Garuk partiu em defesa do elfo, e Sombra, a loba companheira de Rector, em defesa do boi atacado. O napol voou alto para identificar o alfa e preparou um feitiço para manipular o líder da alcateia. Garuk se aproximava tentando invocar os poderes naturais para ajudá-lo.

    Amstel estava em apuros, mas contra-atacava com feitiços tentando se salvar. Sombra conseguia lidar com os dois lobos com os quais havia se engajado. Mas foi o feitiço de Rector que mudou o rumo do combate. O elo animal temporário criado pelo napol lhe permitiu convencer o lobo a procurar comida para o leste, onde o grupo havia eliminado os goblins. Apesar da distância, a força do feitiço fez o lobo recuar, levando consigo toda a alcateia.

    Depois da batalha, Rector usou um feitiço sobre Amstel para auxiliar na recuperação de seu braço. Para amenizar sua dor, o mago abusou do vinho que carregava com tanto zelo na carroça.


Desafios do Desfiladeiro Glacial

    A jornada para Odrenvil ainda estava longe do fim. Um dia depois do confronto contra os lobos, o grupo entrou em um estreito e perigoso desfiladeiro. Eles se encontravam na área mais baixa e ventosa, mas com um clima menos hostil.

    Rector, como fazia todas as noites, abriu sua casa dos sonhos para todos os companheiros pernoitarem. O Guia, como também fazia todas as noites, recusou o convite do feitiço estranho. No entanto, naquela noite em particular e naquele desfiladeiro, a negativa do Guia salvou o grupo de um destino terrível.

    O sekbete criou seu próprio abrigo nas proximidades da entrada para a casa dos sonhos. Mas, ao fim da noite, percebeu um tremor de terra. Preocupado com as consequências que o evento natural pudesse ter, ele alertou todos os seus companheiros, dizendo que um deslizamento era iminente. O grupo inteiro deixou a casa dos sonhos e foi para um ponto mais alto. O deslizamento ocorreu e, não fosse a antecipação do Guia, todos poderiam ter sido soterrados pela neve.

    O deslizamento trouxe outras consequências para o grupo. A trilha principal, que não passava de um caminho tortuoso no meio das montanhas, encontrava-se obstruída logo à frente. O Guia pegou o mapa de Olgaria e notou uma rota alternativa. A zumi a reconhecia e disse que sua anciã a chamava de "Desfiladeiro do Sussurro Glacial", pois era uma região perigosa, uma rota há muito tempo abandonada. No entanto, era também a única alternativa à trilha principal. Seguiram por ela.

    A rota alternativa subia uma das montanhas e percorria um desfiladeiro muito íngreme, apesar de largo o suficiente para a passagem da carroça e dos bois. No entanto, uma área com o solo totalmente congelado mostrou-se um grande desafio. O solo escorregadio fez um dos bois deslizar e entrar em pânico. O Guia não foi capaz de conduzi-lo em segurança, e o animal escorregou para uma queda mortal no fundo do penhasco. Amstel não demonstrou qualquer sentimento por seu animal morto, apesar da longa jornada que dividiu com ele.

    Os aventureiros seguiram com a carroça e um dos bois, chegando até o Túnel dos Sussurros, uma curta passagem formada por gelo e pedras no meio das montanhas. Formado sobre um rio de superfície congelada, o túnel era permanentemente afetado por um vento sussurrante, causador de um desgaste físico e mental incomum.

    A travessia do trecho de rio congelado exigia cuidado. Garuk foi o primeiro a realizar a travessia. O sekbete pesava facilmente 160 quilos, o que foi o suficiente para quebrar o gelo sob seus pés. Mas isso não o parou. O meio-crocodilo usou sua cauda para se agarrar em uma formação de pedra ao seu lado e se puxou para uma das paredes. Cravando nela suas garras, ele percorreu o restante do túnel pela lateral.

    Os outros aventureiros precisariam percorrer o túnel congelado com a fenda no piso provocada por Garuk. A maioria não teve grandes dificuldades para passar, mas Amstel precisou da ajuda de Garuk, sendo puxado por uma corda para não escorregar para dentro do rio congelante.

    O grupo viu a luz do sol no fim do túnel assim que terminaram de cruzar o rio congelado. Ao saírem da caverna, vislumbraram a paisagem do grande vale verde onde, em meio a ele, situava-se Odrenvil.

Terras Selvagens, fronteira com as Geleiras, dia 9 do mês da Paixão do ano de 1502.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

(EE) Sessão 06

Zona Subterrânea: Ecos de Hades

Triangulação nas Profundezas

    Os viajantes retornaram ao veículo para recuperar as energias, após enfrentarem um dos sentinelas ao lado do estranho terminal. Em conversa com James, decidiram tentar novamente, mas desta vez fariam um esforço para desativar os terminais antes que os inimigos pudessem ser ativados.


     James montou uma triangulação com seus drones, a fim de estabelecer um sinal mais forte e estável nas profundezas do polo. Com isso, o capitão da Imperatriz Errante conseguiria manter o controle de um de seus drones com mais precisão e acompanhar o grupo em tempo real. A preparação levou várias horas. Dois dos drones que haviam explorado as cavernas mais profundas estavam mais lentos do que o habitual e demoraram para assumir suas posições.

    A reaproximação à base inimiga foi cautelosa. Eles notaram que o robô abatido por Star — engolido anteriormente pela energia estranha — estava de volta ao seu terminal. Van seguiu até o terminal do robô que Star havia destruído na incursão passada. O doutor foi ágil e conseguiu desativá-lo. Contudo, hesitou antes de partir para a próxima estação. Somente quando James avançou para um dos terminais é que Van ocupou o quarto. O tempo perdido foi precioso. Os inimigos foram ativados antes que os viajantes completassem o protocolo de desativação, tornando o confronto físico inevitável.

    Assim que o construto próximo a James foi ativado, um sinal estranho foi emitido para seu drone, que chegou até a Imperatriz Errante. Era um vírus, que James conseguiu conter com suas habilidades antes que se espalhasse pelo sistema. Entretanto, ele perdeu o controle do drone momentaneamente.

    Star e TR enfrentaram um tiroteio visceral contra os robôs ativados. Van já havia sido atingido pelas costas e caiu ao chão, embora ainda estivesse vivo. James recuperou o controle do drone e correu até a estranha porta para tentar abri-la.

    Quando a atenção dos drones foi dividida, com o grupo flanqueando-os por ambos os lados, a vitória foi assegurada. Os dois robôs foram abatidos por TR e Star, que, embora tenha sido atingido, foi protegido do pior por seu traje. Como ocorrera anteriormente, as máquinas abatidas desapareceram após serem englobadas por sua própria fonte de energia. James desativou o núcleo que alimentava os quatro terminais, impedindo que os robôs fossem reativados. Depois disso, burlou o sistema de segurança da porta e conseguiu abri-la.

O Eco e o Obstáculo

    Um corredor metálico, estreito e escuro, conduziu os viajantes ainda mais fundo no subterrâneo de Hades. Estavam cada vez mais próximos do ponto de instalação do dispositivo, apesar da estranheza do local. No momento em que a porta foi aberta, TR sentiu novamente um eco psíquico — desta vez, mais forte, que o paralisou por alguns segundos. O guerreiro psi sabia que estavam se aproximando de algo incomum. Star não teve a mesma sensação, pois havia retornado ao VTT para recuperar as energias esgotadas no confronto com os sentinelas.

    Ao se aproximarem do ponto de instalação, os viajantes se decepcionaram. O local exato estava a cerca de 1,5 metro dentro da parede. Procuraram desesperadamente por passagens secretas ou qualquer sinal de uma sala além da parede metálica maciça, mas nada foi encontrado. Indignados com seu empregador, que aparentemente escolheu o ponto sem a devida atenção, decidiram avançar pelo túnel e descobrir o que havia mais à frente.

Laboratório Silente

    Com cautela, exploraram o túnel por mais 50 metros até encontrarem uma porta isolando o corredor. Van foi à frente e, ao se aproximar, ela se abriu automaticamente, revelando um enorme laboratório com 12 tubos de tamanho humano ou maior. Os tubos não eram iguais. Os quatro últimos pareciam destinados às máquinas sentinelas que protegiam o exterior, enquanto os demais pareciam abrigar criaturas orgânicas. Dois deles, inclusive, estavam repletos de um líquido espesso esverdeado que continha — ou parecia conter — alguma criatura, ou seus restos.

    O laboratório possuía um anexo. Ao subir uma escada à direita da entrada, o grupo chegou a outra porta, também fechada. Antes que pudessem entrar, Van foi acometido por uma pontada psíquica. Diferente de TR, versado em telepatia e capaz de barrar o choque mental emitido pelo ambiente, Van foi atingido em cheio. O doutor caiu desacordado e seu estado só piorava.

    Antes que Van — motorista do grupo — morresse naquele fim de mundo, os viajantes decidiram retornar ao veículo, na esperança de ajudá-lo em um local mais seguro. No caminho, instalaram o dispositivo sísmico no ponto mais próximo da coordenada recebida. Para mascarar o erro, fizeram um ajuste na calibragem do aparelho, tornando difícil notar o desvio se um técnico não estivesse procurando por ele.

    Enquanto isso, na superfície, James percebeu a aproximação de uma tempestade radioativa intensa, capaz de atravessar a radiação até o interior da nave. Preocupado com sua segurança e com a da Imperatriz Errante, o piloto reserva decidiu levar a nave de volta à órbita. O grupo aguardaria algumas horas até seu retorno — tempo que poderia ser precioso, pois a condição de Van continuava a se agravar...

Sistema Hades, data imperial 21-1100