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quinta-feira, 5 de março de 2026

(VS) Sessão 25

Em busca de Tanaka

A pesquisa do Dr. Allen

Berenice deixou a Deriva no cinturão de asteroides. O destino era Bullet, um pequeno asteroide que servia de base para a Lança de Hierofante e possível paradeiro de Kenji Tanaka.

Antes de iniciarem a aproximação, após perceberem que o local era bem vigiado, Rykk teve um plano.

O Dr. Allen havia sido capturado pelos aventureiros enquanto desenvolvia sua pesquisa relacionada à SMD. Além disso, talvez soubesse algo sobre Kenji Tanaka. Com isso em mente, o capitão ordenou que Berenice conduzisse o pesquisador patrocinado pela Lança de Hierofante até a ponte.

Guiado pelas luzes que se acendiam e indicavam o caminho de forma inquietante, o Dr. Allen deixou seu quarto e seguiu rumo à ponte. Apreensivo, chegou a preparar uma pequena faca, mas foi prontamente desarmado quando Rykk ordenou que Berenice ativasse as travas magnéticas dos corredores.

— Vão me matar? — questionou o Dr., intimidado, assim que pisou na ponte.

— Não se preocupe, isso nunca passou pela nossa cabeça — tranquilizou Rykk, com um tom suspeito. — Você não está aqui por isso, não, meu querido. Nós estamos aqui para conversar. O senhor estava trabalhando com a Lança, certo?

— Certo. Minha pesquisa tem alguma coisa a ver com eles.

— Você não estava fazendo pesquisa para eles? Estamos indo em direção ao asteroide Bullet, onde encontraremos o Dr. Tanaka. Você já deve ter ouvido falar dele. Trabalham para o mesmo empregador.

— Eu já ouvi falar do Dr. Tanaka, mas ele desapareceu há alguns anos.

— Nós estamos indo nos encontrar com ele. Ele está vivo. Você quer ir conosco?

— Sim, eu posso ir com vocês. Seria interessante conhecer essa pessoa. Ele tem pesquisas impressionantes e uma área muito semelhante à minha.

— E qual é, exatamente, a área de sua pesquisa?

O doutor começou explicando sua pesquisa com entusiasmo, mas ainda com desconfiança. Os termos técnicos eram confusos, e o Dr. parecia duvidar da capacidade do grupo de compreendê-los. Rykk passou a complementar algumas informações com base em seu conhecimento de biologia. O retorno que recebeu no diálogo aumentou a confiança do Dr., que passou a explicar seu projeto de forma mais clara.

— Eu buscava aprimorar o reator de absorção de fluxo. Meus estudos focavam em fluxo de anti-energia estabilizada, que empregava o reator para obter uma rotação ideal — algo que a Lança calculava e determinava como o ponto-chave para romper o tecido da realidade. Eu utilizava cristais de fluxo negro para isso.

— Eu peguei um cristal da sua pesquisa — interrompeu Hothspoth.

— Você o roubou? — corrigiu o Dr. Allen.

— Não, ele sacou — pontuou Rykk.

— Assim como eu e minha pupila. Como está ela? Ainda está viva?

— Claro que está viva! — indignou-se Rykk. — Que neura é essa com morte?

— Eu não tenho muitas razões para pensar em coisas alegres aqui nesta nave.

O debate então migrou para as implicações morais e militares da pesquisa. Allen afirmou que buscava a cura para a Síndrome da Marcha Definhante (SMD), mas admitiu o potencial bélico da tecnologia.

— Eu estava muito perto de conseguir uma cura para a síndrome da marcha definante. Se eu conseguisse estabilizar essa rotação, teria a SMD sob meu controle.

— Poderia criar uma arma que difundisse SMD por toda uma grande área, um planeta, quem sabe.

— Eu não faria isso.

— A Lança de Hierofante faria.

— Eu duvido. Por mais que vocês não acreditem na moral daquelas pessoas, meu patrocinador é uma pessoa de honra.

— E quem é seu patrocinador?

Hesitante, o Dr. Allen virou o rosto e permaneceu em silêncio por longos segundos.

— Eu não posso revelar. Assinei um contrato de confidencialidade.

— Você sabe que sua pesquisa não seria, de maneira nenhuma, usada para o bem do universo. Concorda?

— É claro que seria! Por mais que toda grande descoberta tenha suas implicações militares, elas também trazem o bem comum.

— Sinto lhe informar, mas sua pesquisa já está sendo militarizada. E a Lança está achando uma forma de aplicá-la, mesmo incompleta.

— Eu não acredito que sejam pessoas relacionadas aos meus patrocinadores. Se eu estivesse no meu laboratório, de posse da minha pesquisa, eu não deixaria isso acontecer. Mas vocês me tiraram de lá há quanto tempo? Eu perdi a noção de tempo.

— Você não tem autonomia sobre isso. Se você se opusesse, lhe matariam. Você mesmo disse que Tanaka foi dado como morto.

— Minha pesquisa tinha gatilhos para eu ativar, caso algo de imprevisto acontecesse.

A conversa foi interrompida subitamente por Berenice.

— Capitão, detectaram nossa presença aqui. Consegui camuflar nossa identidade, por enquanto.

— Então vamos seguir com o plano original — disse Rykk. Voltando-se para Allen: — E o senhor pense a respeito disso enquanto resolvemos esse pequeno percalço.

Perto demais

— Kassius, conduza o Dr. Allen até seu quarto.

O soldado segurou firmemente o Dr. e começou a conduzi-lo pelos corredores da nave. No caminho, Allen tentou uma abordagem que irritou profundamente o tripulante.

— Você é mercenário?

Kassius permaneceu em silêncio, conduzindo seu escoltado com firmeza.

— Meus patrocinadores são muito ricos. Posso conseguir pagadores melhores para você. Me ajude a sair daqui.

— Vou te ajudar — respondeu Kassius, irritado. — Quanto está valendo um dedo?

O soldado quebrou um dos dedos do Dr. Allen.

— Aah, meu dedo! — Mesmo gemendo de dor, o Dr. Allen manteve sua prepotência. — Você está quebrando um material importante para toda a galáxia, seu imbecil.

O soldado quebrou outro dedo de Allen.

— Se você não disser nada até chegarmos ao seu quarto, ficará só nestes dois, combinado?

— Você não sabe com quem está lidando.

O argumento fez Kassius quebrar mais dois dedos do Dr. Allen, que deixou os óculos caírem ao contorcer-se de dor. O soldado pisou neles, desencorajando novas tentativas do cientista.

Kassius colocou os ossos partidos do Dr. no lugar antes de empurrá-lo porta adentro de seu quarto.

— Não se preocupe, não é nada pessoal.

Enquanto isso, a ponte estava em alerta máximo.

— Capitão, tenho informações — anunciou Berenice. — Eles detectaram que há uma nave estranha nos arredores. Percebi que são cinco naves inimigas, caças. Apesar de pequenas, desafiá-las seria arriscado.

O grupo optou por se afastar para longe da infosfera do asteroide e permanecer fora dos sistemas de detecção inimigos.

Alguns minutos depois, Berenice detectou um objeto movendo-se em alta velocidade na direção de Bullet.

— Todos à postos! — gritou o capitão. — Tentem descobrir quem está nessa nave.

A nave científica cruzou com Berenice a algumas dezenas de quilômetros. No entanto, a passagem foi tão rápida que os sensores não conseguiram coletar muitas informações.

— A nave emitia um rastro de energia sepulcral — alertou a IA. — Filhos da puta! Tem uma parte do Santo naquilo — indignou-se Rykk.

— Não calculo que seja para tanto, mas sugere que ela esteja envolvida com pesquisa de SMD de alguma forma — estimou Berenice. — Talvez seja necessário um pouco mais de investigação. Ainda estão ao nosso alcance.

— Tentem invadir os sistemas deles.

A tentativa de invasão falhou. Porém, Ed conseguiu triangular sua rota e estimar o destino nos Mundos do Pacto: Akiton, Triaxus ou Eox.

Flynn, ao perceber que a nave emitia uma radiação sepulcral detectável no espaço, preocupou-se com a situação de Berenice.

— Nós emitimos esse tipo de radiação também, mesmo depois de termos feito uma limpeza?

— Sim — respondeu Berenice. — Fomos expostos a uma grande quantidade de radiação sepulcral quando estivemos em K375.

— Capitão — interrompeu Astra. — Concluí a análise de alguns dados que coletei enquanto estávamos na infosfera de Bullet. Detectei sinais de pelo menos 100 seres orgânicos lá dentro.

— Tem uma galera lá, hein? — surpreendeu-se Rykk. — E a troco de quê? Talvez para descobrir que o Tanaka estava na nave que acabou de ir embora.

O grupo decidiu se arriscar. Comandada manualmente pelas mãos de Ed, Berenice reentrou na infosfera de Bullet. A IA dedicou quase toda a sua capacidade de processamento para camuflar os sistemas da nave, obrigando a tripulação a agir por conta própria durante a invasão de sistemas.

O piloto deixou o manche e assumiu o comando dos computadores de invasão. Ele conseguiu estimar que a trajetória do asteroide era irregular, marcada por alterações artificiais.

O grupo também obteve manifestos de carga e o histórico de atracagem das naves, descobrindo que a nave científica havia permanecido aportada por 28 dias antes de partir e cruzar com eles no espaço.

A análise inicial concluiu que Bullet possuía tecnologia sofisticada, mas apostava na camuflagem natural de um asteroide em vez de uma segurança digital reforçada, o que permitiu ao grupo planejar um aprofundamento na pesquisa de dados sobre os experimentos de Tanaka.

O viajante do espaço

Rykk e Hothspoth continuam as tentativas de infiltração. O solariano fracassa em algumas tentativas de roubar uma identidade falsa das naves encontradas no manifesto, mas Rykk tem sucesso.

Após cerca de 20 minutos de coleta de dados, o capitão conseguiu clonar a identidade de uma nave chamada Memória de Shilos, comandada por um verthani chamado Signus. O grau de acesso alfa garantiria tráfego seguro pelos sistemas do asteroide, mas ainda existiam outras camadas de segurança que o cartão não romperia. Além disso, serviria como uma camada descartável caso fossem descobertos.

Porém, o sistema de segurança do asteroide detectou as diversas tentativas de invasão e reforçou os protocolos, tornando os acessos cada vez mais arriscados.

Ed tentou uma abordagem diferente e muito mais simples: enviou uma mensagem falsa de phishing, utilizando o nome de Signus como remetente.

A estratégia simples funcionou, abrindo um rombo na segurança reforçada de Bullet. O piloto logo percebeu que o próprio Kenji Tanaka havia aberto a mensagem falsa, expondo seu terminal ao acesso externo.

— Confirmamos que o Tanaka ainda está lá! — comemorou Ed.

Tanaka tinha acesso a todos os dados científicos realizados em Bullet, embora não tivesse qualquer controle sobre o sistema de segurança do asteroide.

O grupo explorou os dados e descobriu que o cientista continuava pesquisando rastros de energia sepulcral, frequência de rotação de corpos afetados e alguns detalhes técnicos relacionados ao Santo: Tanaka continuava sua busca por cobaias para mesclar aos fragmentos dele.

Os aventureiros tentavam descobrir se o asteroide guardava algum fragmento relicário, mas Berenice alertou que o processamento dos dados levaria pelo menos 10 minutos. No entanto, o tempo se esgotou quando os sensores detectaram uma ameaça externa em aproximação balística.

— Estranho, parece um ser vivo — disse Astra.

— A gente consegue ter alguma imagem dessa criatura? — indagou o capitão.

A imagem capturada parecia mais com um cometa. Envolta em uma bola de energia, a criatura se deslocava muito acima da velocidade que uma mochila a jato poderia alcançar no espaço.

Edric moveu a nave para sair da rota da criatura, mas percebeu que ela corrigia a trajetória e voltava-se para Berenice.

— O objeto não identificado está emitindo uma fraca radiação sepulcral — anunciou a IA.

Flynn, concentrado nos sensores de vida, percebeu que se tratava de uma forma de vida mista: era um androide.

— Eu vou lá falar com ele no espaço — decidiu Hothspoth, partindo em direção à ala de carregamento. — Vou fazer a guarda da nave.

O solariano verificou a carga de sua mochila a jato, abriu as comportas e ficou sobre a plataforma de carga, exposto ao espaço sideral, protegido apenas pelo escudo de Berenice, alguns metros à sua frente.

— Alguém tem que receber o convidado — disse o solariano, em guarda.

A criatura, envolta em uma “bola de fogo”, desacelerou bruscamente a 500 metros de distância e chocou-se de forma controlada contra o escudo.

— REEEED, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AÍ! — gritou o androide, que tinha aparência de um verthani modificado.

Imediatamente, na ponte de comando, os alarmes de segurança dispararam. O sistema de energia falhou.

— Estão tentando nos hackear — informou Berenice, com a voz trêmula.

— É a porcaria de um hacker. Vamos embora! — ordenou o capitão.

Ed tentou reativar os sistemas, mas não houve tempo. A energia falhou, Berenice desligou-se.

A escuridão tomou conta da nave.

Diáspora, Mundos do Pacto, domingo, 7 de Serenith do ano 325 DL.

domingo, 1 de março de 2026

(LA) Sessão 29

Syllen’ae

Investigando a tecelagem

A carta da elfa sombria colocou os aventureiros em alerta. Eles estavam sob vigilância e não poderiam esperar demais para colocar seus planos em ação.

Réctor resolveu investigar sozinho o entorno da tecelagem. Embora os efeitos mágicos fossem afetados ao redor do Domo de Arminus, suas asas eram confiáveis o suficiente para permitir uma aproximação sigilosa.

O Guia, preocupado, alertou o feiticeiro para que tomasse cautela extra.

— Até agora não sei como é que aquela elfa detectou que eu estava presente. Além da questão de os efeitos da nossa magia serem afetados pelo Domo, eu também não sei se pode haver alguma coisa lá que permita detectar quem está usando magia.

Réctor deixou seus equipamentos mágicos aos cuidados de Garuk e partiu pela noite escura, após avisar ao grupo que manteria contato através de Sombra que, por meio de sua conexão telepática com o criador, poderia informar tudo o que ele estivesse fazendo.

Ao contornar o Domo, o feiticeiro avistou a tecelagem pelos fundos. Havia uma torre no centro do prédio, na qual um humano mantinha vigília. No entanto, Réctor contava que as sombras noturnas protegeriam sua posição.

A aterrissagem sobre a cumeeira do telhado foi sutil. O guarda mantinha vigilância na direção da cidade, deixando descoberto o lado voltado para o Domo.

— Ataca esse cara aí e pega ele! — sugeria Garuk através da conexão com Sombra.

— Deixa comigo — dizia Réctor, despistando. O feiticeiro não tinha a intenção de começar uma luta sozinho.

O napol aproveitou o ponto cego do guarda e explorou o telhado. Ele encontrou um pequeno vitral abaixo do beiral e convocou um amigo imaginário para analisá-lo de perto.

A intenção do feiticeiro era trazer um pombo de sua mente. Porém, a proximidade do Domo de Arminus estava afetando bastante sua capacidade mágica. Réctor sentiu o karma esvair-se de seu corpo de forma acelerada e, mesmo assim, a criação surgiu deformada. Apesar disso, ainda era reconhecível como um pombo, como pretendido.

O pássaro bicou o vitral e descobriu que a janela era pivotante, com um vão de cerca de 30 cm em cada lado. O rangido da abertura, no entanto, foi alto. A peça parecia estar naquela posição havia muito tempo.

— Tem uma janela aqui, de uns 30 cm. Quem consegue passar?

— Eu passo — afirmou Olgaria, confiante.

— Mas você tem a graciosidade de um paquiderme!

— Talvez eu passe — sugeriu Demétrius, medindo seu corpo com as mãos.

Mas Demétrius não tinha como chegar ao telhado. O feiticeiro considerava uma magia de transporte muito arriscada, tendo em vista os efeitos erráticos que a proximidade com o Domo de Arminus poderia provocar. Assim, resolveu procurar uma entrada no térreo.

Uma enorme árvore mergulhava os fundos da tecelagem em trevas. A copa gigante seria um bom esconderijo.

Mas a sorte do feiticeiro com o guarda havia acabado. Sua decolagem do telhado provocou um ruído que, difundido na noite fechada do norte de Telas, alertou o vigilante. Ele olhou na direção do napol e sacou uma luneta.

Réctor desistiu da investida. Abriu as asas e mergulhou na escuridão para despistar o olhar do homem.

Os rastros da floresta

Retornando para as ruínas, o feiticeiro contou com mais detalhes sobre sua tentativa.

— Consegui ser visto.

— Vamos conseguir entrar? — indagou Demétrius.

— Talvez agora ele fique mais atento. O cara está num bunker. Vai ser difícil entrar nesse lugar. Ele ainda tem a vantagem antimagia do Domo. Vocês não querem dar uma olhada no túnel da floresta, não?

— Vamos, então. Vamos ver se tem uma fera lá mesmo — empolgou-se Garuk.

Os aventureiros preparam suas armas e partem em direção à floresta ao norte da cidade, além do Colégio Naturalista. O Guia lidera a comitiva com cerca de vinte metros de dianteira.

A escuridão da mata forçou o feiticeiro a acender uma pequena luz para si, Olgaria, Garuk e Demétrius. Os anões tinham boa visão nas trevas, e Garuk enxergava perfeitamente com seu sortilégio de rastreador noturno.

O mapa de Larial fora escrito em um pergaminho qualquer. Porém, mesmo com a baixa precisão, o Guia foi capaz de corrigir a rota e encontrar, sem dificuldades, o alçapão camuflado que dava acesso ao túnel secreto.

— Achei! — anunciou o Guia ao encontrar os sinais da passagem. — Mas deixa eu varrer o perímetro para tentar encontrar alguma pegada.

— Eu estou sentindo o cheiro dos sombrios — disse Garuk, enquanto o rastreador investigava o solo. — Será que eles usam essa passagem para chegar lá?

— Olha — anunciou o Guia, levantando-se e apontando para os rastros que encontrou — três elfos sombrios entraram e saíram por esta passagem. Ontem.

— Deve ser uma passagem bastante usada — concluiu o berserker.

Os aventureiros discutiram brevemente se deveriam ou não iniciar a travessia naquele momento.

— Vamos conhecer. Vamos ver se tem uma fera lá mesmo!

— Espere, Garuk. Vamos encontrar os elfos sombrios primeiro. Talvez eles tenham algum tipo de papelada que já resolva o nosso problema. A gente não precisa invadir aqui agora — ponderou Réctor, considerando o encontro com Syllen’ae agendado para a noite seguinte.

O Guia sugeriu que o grupo seguisse os rastros dos elfos sombrios que haviam deixado o esconderijo antes de entrar. A proposta foi aceita pela maioria.

— Pelo menos já são dois elfos a menos no mundo.

O Guia segue os rastros dos elfos de volta para o centro de Telas. O rastreador garante que seus próprios rastros e os do grupo sejam apagados enquanto avançam.

As pegadas dos elfos se misturam com uma multidão de outras marcas nas ruas noturnas, mas bem iluminadas da cidade, e seguem para o sul, até as proximidades do Jardim dos Prazeres.

— O rastro termina nesta casa — informou o Guia, indicando discretamente uma mansão luxuosa.

O grupo segue até o Jardim para não discutir assuntos delicados em frente à casa dos elfos. Eles não demoram a perceber que a mansão era, precisamente, o local do encontro com Syllen’ae.

Antes do encontro

A revelação de que Syllen’ae — ou seus asseclas — estavam utilizando a trilha na floresta não soou como uma surpresa completa. Ainda assim, mexeu com os planos dos aventureiros. Agora eles tinham certeza de que deveriam aguardar o encontro antes de dar o próximo passo.

A madrugada avançava rapidamente e logo seria manhã. Os aventureiros retornaram para a Casa dos Sonhos e descansaram por algumas horas.

Na tarde seguinte, o Guia retornou até a Pedra do Saber, o Colégio do Conhecimento, para continuar o aprimoramento de sua Escrita. Haftor também se dirigiu para lá, mas seu objetivo era continuar o estudo do Testamento da Ordem. Réctor foi ao Colégio Naturalista, enquanto os outros permaneceram treinando.

Os manuscritos de arcanismo complexo do Testamento da Ordem eram difíceis de decifrar. O paladino avançou em seus estudos e descobriu que Altherion de Corvear estudava as propriedades do metal homônimo. Segundo os manuscritos, o metal seria capaz de canalizar a energia titânica das Geleiras — uma energia ligada especificamente ao frio primordial.

A pesquisa sobre o Testamento avançava lentamente. O anão retornou ao esconderijo antes do anoitecer para preparar-se para o encontro com a elfa.

A visita de Réctor ao Colégio Naturalista trouxe algumas informações já conhecidas, mas sob outra perspectiva.

O feiticeiro foi recebido por uma elfa de sorriso simpático.

— Niliel, muito prazer. Deseja algo nas dependências de nossa escola? É difícil ver os seus entrando aqui.

— É... eu sou diferenciado. Você por acaso conhece alguém que possa falar um pouco sobre os distúrbios que têm acontecido na natureza? Eu reconheço isso como Aurora Gelada, mas talvez vocês a chamem de outra maneira.

— O colégio anda bastante preocupado com estes acontecimentos, senhor Réctor — revelou Niliel, depois de compreender melhor o assunto trazido pelo napol. — Vou chamar alguém que possa conversar com o senhor.

Réctor aguardou por alguns minutos, em uma espera tensa. Em seguida, foi apresentado a Thranduil, um explorador dos naturalistas que o convidou para conversar em um local mais reservado.

— Acomode-se e me diga o que você sabe sobre o tal “Mal-Sob-O-Gelo”.

O feiticeiro relatou todas as aventuras vividas com seus companheiros, omitindo apenas pequenas partes. Em seguida, questionou sobre a estátua da Dama.

— A estátua da Dama está a cargo das guildas de arqueólogos. Aparentemente, a estátua é capaz de fornecer um tipo peculiar de karma ao lago em que se encontra. Ao que tudo indica, ela repele o mal.

Mostrando o cristal da Aurora em sua posse, Réctor explicou sobre a purificação do rio que presenciara em Vau do Calbuen.

— As pedras reagem ao Domo. São minerais que já estavam aqui há muito tempo, mas recentemente têm se manifestado de forma diferente. Parece que estão reagindo a este novo karma.

A conversa encerrou-se com um aviso sobre a cobiça de outras facções, confirmando que os elfos sombrios não eram os únicos interessados nos artefatos do grupo.

— Se você tiver alguma ideia, pode me procurar nos sonhos. Eu sou um feiticeiro dos sonhos — despediu-se o napol.


O pacto de Minoliz

O grupo chega pontualmente à mansão de Syllen’ae e é recebido por um mordomo elfo sombrio vestido com um fraque justo e gola alta. O serviçal faz um gesto extravagante de boas-vindas e autoriza a entrada dos aventureiros.

— Fala, cara! Esse aí manja! — comemorou Réctor ao ver o gesto semelhante ao seu.

A sala de estar para a qual são conduzidos era confortável e ampla. Uma escadaria larga o suficiente para cinco pessoas se destacava no centro do ambiente.

O mordomo conduziu o grupo até um canto da sala, onde dois sofás os aguardavam. Uma cadeira foi providenciada para Réctor. Taças de vinho foram trazidas, mas ninguém aceitou.

Os aventureiros não se sentaram, com exceção de Demétrius. O ladino, no entanto, levantou-se assim que percebeu que era o único acomodado.

Logo cinco elfos sombrios desceram a escadaria. No centro estava Syllen’ae, uma elegante e bela elfa sombria vestindo trajes de exploração. Os outros quatro eram guardas. Eles pararam no último degrau e ali permaneceram, estáticos, bloqueando toda a passagem para o andar superior.

Syllen’ae sentou-se na poltrona.

— Eu sou Syllen’ae e serei a anfitriã de vocês.

— Eu não confio em você — acusou o Guia. — Cadê a dona que escreveu a carta?

— Fui eu. Eu sou Syllen’ae, representante de Minoliz, e os trouxe aqui hoje para que possamos redigir um acordo que seja bom para ambos.

A elfa se acomodou melhor na cadeira, enquanto Garuk se posicionava perto dela em uma tentativa de intimidação.

— Vocês fizeram um excelente trabalho com Margoth. Gostaria de conceder-lhes meus parabéns.

— Ele não era uma missão. Era só um obstáculo. Um acaso que queria matar a gente, e ele teve o azar dele — respondeu Garuk.

A elfa referia-se a Margoth como um “desprezível servo de Aemon”. Sua relação com o compatriota era, no mínimo, ambígua.

Ela então propôs um acordo para livrar o grupo da perseguição de Aemon Ghevra, mas os aventureiros não acreditaram.

— Eu não proponho uma trégua, mas um acordo de paz — disse Syllen’ae, ao ouvir Réctor supor que o acordo duraria apenas enquanto eles fossem úteis.

— A gente sabe que não funciona assim, né? — desdenhou o Guia.

Mesmo assim, a elfa insistiu. Segundo ela, o acordo protegeria o grupo da vingança implacável de Aemon Ghevra, alguém que eles certamente não desejariam ter como inimigo. O acordo, obviamente, tinha um preço.

— Eu preciso que me entreguem uma bigorna feita de corvear. Minoliz deseja esse metal específico das profundezas de Blur. Se a trouxerem até mim, considerem o acordo fechado.

— O que você vai fazer com essa bigorna aí, dona?

— Entregarei à minha mestra. O que fará com ela está além do meu alcance descobrir.

— Eu ainda não vi qual é a vantagem para a gente nessa história — disse o Guia.

O grupo hesitou e recuou. A proposta da elfa soava como parte de um plano do qual eles não deveriam fazer parte.

Garuk se agitou e começou a elevar o tom agressivo.

— Eu não lhe atacarei — respondeu Syllen’ae, encarando o berserker de baixo para cima. — Não me rebaixarei ao negociar com alguém como você. Minha proposta está colocada: tragam a bigorna. Se não a tiverem, morrerão nas mãos de Aemon.

— Elfos sombrios não têm aliados. Têm ferramentas — acusou o Guia.

O grupo começou a deixar a mansão, mas os sekbetes deixaram sua marca. Garuk acertou um sofá com sua cauda e o arremessou contra a adega do outro lado do ambiente.

O Guia pegou uma taça da bandeja do mordomo e se aproximou da elfa sombria.

— À sua saúde, dona.

E despejou a bebida no chão.

Os aventureiros deixaram a mansão sob o olhar penetrante de Syllen’ae.

A visita não seria esquecida.


A decisão imediata

O grupo retorna para as ruínas com cautela extra. Enquanto discutiam a reunião com a elfa sombria, Réctor percebeu um odor forte vindo do Guia: era carniça.

O sekbete farejou o ar e logo percebeu que o cheiro estranho vinha de seus próprios dedos e do copo que trouxera consigo.

— Eu já senti esse cheiro antes. Lembra-me de Caridrândia… de mortos-vivos. Será que o mordomo já está morto?

O Guia decidiu descartar o objeto para não atrair o perigo para o esconderijo.

A sensação de vigilância parecia constante. Por isso, mesmo exaustos, os aventureiros decidiram que não poderiam esperar mais para invadir o armazém de Volrath.

— Eu preciso ir lá pegar aquele documento — afirmou Réctor. — O que vocês acham de irmos pela floresta?

— Eu acho melhor também — concordou Garuk. — Até porque, se a gente tentar voltar na elfa para pegar alguma coisa, ela vai acabar desconfiando.

Réctor invocou um feitiço de teletransporte e levou seus companheiros até os arredores do alçapão na floresta. Assim que o Guia reencontrou a passagem, o napol garantiu que ninguém estivesse sob efeito de magia.

— Ninguém está com magia, então podemos entrar.

— Eu vou primeiro — candidatou-se o Guia, já procurando por armadilhas no entorno da passagem.

Logo que o rastreador removeu as pedras e galhos que encobriam a passagem, revelou-se um alçapão de madeira com um puxador, construído sobre uma plataforma de pedra.

Garuk ajudou o Guia a abrir a passagem. No momento em que a porta foi aberta, um choque mágico atingiu os sentidos místicos dos sensitivos do grupo, confirmando a presença de algum poder arcano em seu interior.

Ao mesmo tempo, a abertura liberou o forte odor que estava contido lá dentro.

Carniça.

O mesmo cheiro que estava no copo.

Com armas em punho, o grupo iniciou sua descida.

Telas, dias 11 e 12 do mês da Sabedoria do ano de 1502.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

(VS) Sesão 24

O plano de Garig

O moinho na floresta

Flynn analisava com cuidado o sujeito que acompanhava Garig naquele moinho: alto, vestindo uma armadura pesada e carregando uma bazuca. Porte de soldado. O mais preocupante: era desconhecido.

— Quem seria seu companheiro, Garig? — indagou Flynn, com desconfiança.

— Este é Francis, um protetor leal.

Flynn não se atreveu a entrar. Seus companheiros, no entanto, tomaram a iniciativa. Hothspoth caminhou até o centro do armazém, removeu o capacete e observou o soldado. O símbolo da Aliança Solar em seu traje lhe trouxe mais confiança.

Mais uma nave quebrando a barreira do som sobrevoou os aventureiros.

— A Lança de Hierofante tem uma base militar aqui perto. Está em ação há algumas semanas. É preocupante — revelou o soldado, com voz firme e ríspida.

— Não para nós — interveio Garig. — Estamos apenas de passagem e ninguém nos detectou.

— A gente também não foi detectado, mas estamos mergulhando a fundo no assunto da cura da SMD — começou Rykkgnaw. — Trouxemos algumas informações para compartilhar, e tinha que ser pessoalmente.

Uma breve pausa se seguiu. Garig mostrou-se interessado em escutar. Rykk continuou:

— Bom, primeiramente falaremos sobre dois projetos da Lança de Hierofante: o Projeto Eucarion e o Projeto Receptáculo. O Projeto Receptáculo envolve partes de um santo que se espalhou fechando fendas. Na verdade, essa entidade existiu. Ele fechava fendas e, por algum motivo, acabou se dividindo em partes. A Lança está atrás dessas partes para colocá-las em pessoas.

Garig demonstrou interesse técnico e questionou as fontes dessas informações. O grupo detalhou as descobertas feitas no cofre da Lança no planeta Viez. Hothspoth explicou que Gre-ôn era o “paciente zero” da Dra. Evelyn Reed e que a consciência da doutora agora estava fragmentada dentro da nave Berenice.

A pauta

Para conduzir a reunião ao ponto principal, Rykkgnaw apresentou sua pauta.

— Descobrimos uma possibilidade de cura ou convivência com o eco sepulcral. Uma raça chamada Karuum, que habita um planeta protegido por um fragmento do Santo, parece resistir à síndrome. Precisaríamos evacuar o planeta e assimilar essa âncora de proteção contra a radiação sepulcral, evitando que a doença se espalhe.

— Eles resistem à doença mesmo expostos a um fragmento como esse? — perguntou Francis.

— Essa raça vive isolada e em relativa harmonia com o fragmento, que eles chamam de âncora.

O grupo explicou a relação entre a âncora e o frágil equilíbrio cósmico do planeta: sua chegada, as consequências de sua remoção e a relação religiosa que os nativos desenvolveram com ela.

Também enfatizaram o risco de a localização ser descoberta pela Lança de Hierofante.

— Assim que a Lança souber desse pedaço do Santo, acabou para eles — temia Rykkgnaw.

— E onde fica esse planeta? — perguntou Francis.

— É melhor não revelarmos por enquanto — respondeu Rykk.

— Mas esse pedaço do Santo é físico?

— É físico — afirmou o draconiano. — Parte de um corpo de um ser que talvez seja divino. Não sabemos exatamente o que ele é. Sabemos apenas que protege essa raça da destruição do planeta deles. O planeta está em rota de colisão com seus dois sóis, mas essa âncora mantém sua estabilidade física.

— E quem são esses Karuum?

— Seres minerais insetoides adaptados a uma gravidade de 4G — explicou Hothspoth.

— As simulações do computador de nossa nave confirmam que a remoção do Santo provocaria o colapso do planeta em apenas doze horas.

Os aventureiros usaram todos os argumentos possíveis para convencer o solariano.

— Uma cura… vocês acreditam que isso seja possível? — perguntou Garig.

— A biologia deles pode representar uma cura. Pelo menos sabemos que são imunes. É uma esperança.

Francis, ainda empunhando sua bazuca, voltou a perguntar:

— Vocês têm as coordenadas desse local?

— A chance de cura só existe se evacuarmos a espécie — respondeu Rykk. — Está no DNA deles. Precisamos preservá-los, realocá-los e depois retirar a âncora.

— Treze milhões? — impressionou-se Garig. — A logística de algo assim seria… sem precedentes.

O androide pediu alguns instantes para processar os dados.

— A Aliança Solar poderia iniciar a construção de uma nave de transporte dedicada em seus estaleiros em Akiton — disse ele após alguns segundos — porém o tempo estimado seria de meses.

— Os Karuum não dispõem de meses. No máximo semanas — respondeu Rykk.

— Precisarei usar os sistemas de busca estelar em Akiton para encontrar um novo lar para essa espécie. As condições de sobrevivência deles são bastante peculiares.

A frequência do eco

Hothspoth apresentou o dispositivo sônico capturado dos guerrilheiros elfos.

— Posso ativá-lo? — perguntou Garig.

— Pode. Mas isso vai me causar uma dor lancinante no braço — ironizou Edric.

Ao pressionar o botão, o dispositivo emitiu um ruído agudo e Ed reagiu imediatamente com gritos de dor.

Garig realizou um escaneamento rápido.

— A frequência é de 77 Hz. A mesma da radiação sepulcral. É o eco sepulcral.

O androide devolveu o aparelho para Hothspoth.

O momento técnico foi interrompido por um alerta de Berenice:

— Senhores, a emissão do sinal parece ter alertado a base da Lança. Detectei movimentação a alguns quilômetros daqui.

— Vamos sair daqui imediatamente! — ordenou Rykk.

A fuga de Castrovel

Ed foi o escolhido para conduzir o veículo carregado de bens.

Antes de partir, Rykk e Garig discutiram um local e uma data para um novo encontro. Absalom foi descartada em razão da vigilância da Frozen Trove, e acabaram marcando a reunião em Vesk Prime.

— Talvez não seja muito seguro, mas está fora do radar da Lança de Hierofante por enquanto — afirmou o solariano.

Nesse instante, uma nave de caça da Lança de Hierofante realizou um voo rasante sobre o moinho, fazendo o solo e o rio oscilarem com a reverberação.

— Parece que eles já enviaram uma tropa de batedores. É melhor se apressarem — informou Berenice pelos comunicadores dos cinco aventureiros estelares.

Com uma despedida rápida, o operativo foi levado na carona de Garig até a camionete todo-terreno.

O veículo estava estacionado em frente a um grande mercado, na periferia de uma pequena cidade. Garig entregou a etiqueta eletrônica de acesso da camionete para Ed e apresentou o passageiro que ocupava o banco do carona: um robô.

— Este é 661. Não se preocupe com ele, está programado para obedecer você.

O operativo se acomodou na cadeira com um olhar desconfiado para seu copiloto autômato. Garig, porém, retomou a conversa.

— Ei, Ed, tome cuidado. A viagem a Vesk pode ser rápida, mas Vesk é um local perigoso. As coordenadas estão no painel do veículo. É longe de qualquer cidade. Vamos tentar ser discretos.

— Não se preocupe, Garig. Discrição é o nome do meio desse grupo. Nós nunca faríamos algo que chamasse atenção.

— Não se esqueça de outra coisa importante. Apenas a nave de vocês é irrastreável para a Lança.

Ed ativou os motores do veículo e seguiu viagem, interagindo com o robô copiloto de personalidade configurável.

Já no compartimento de carga da Berenice — sobre a quadra de basquete — o operativo, auxiliado por Astra, Pip e 661, começou a descarregar as 12.000 cápsulas de UBPs que a Aliança Solar havia enviado. Além delas, havia 20 granadas e 20 medpatchs.

Com a carga do veículo vazia, Ed retornou para a floresta e reencontrou o grupo, reduzindo o tempo de caminhada deles.

Os planos antes de Vesk

Os preparativos para a decolagem começaram assim que todos assumiram suas posições na ponte.

— Capitão, a frota de defesa ainda está na atmosfera. Como vamos passar por ela? — questionou Berenice.

— E se a gente passar como quem não quer nada?

— Nesse caso, sugiro que peguemos uma rota comercial e partamos de uma cidade importante.

Edric iniciou a navegação manual, mantendo a Berenice abaixo dos radares enquanto sobrevoava a floresta em direção a uma zona urbana, tentando camuflar a assinatura da nave. Ao se aproximarem da cidade, a IA apresentou o plano de infiltração.

— Precisamos clonar a identidade de uma nave comercial.

O capitão alterou os dados de identificação da espaçonave. O sinal foi aceito sem questionamentos pela frota de defesa.

A nave deixou a atmosfera de Castrovel e traçou uma rota para a Diáspora, com o objetivo de localizar o Dr. Tanaka antes de seguir para o encontro final em Vesk Prime.

A jornada até o cinturão de asteroides levaria três dias pela Deriva.

Tempo precioso para os aventureiros melhorarem seus equipamentos com os UBPs fornecidos pela Aliança Solar.

Com isso, Kassius e Ed tiveram suas armas aperfeiçoadas. Flynn melhorou a qualidade de seu escudo. Hothspoth e Rykk focaram em aprimorar suas armaduras.

Dos 12.000 UBPs recebidos, restavam ainda 5.538 para futuras necessidades.

Os aventureiros estavam prontos para o que encontrassem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

(VS) Sessão 23

Sessão 23 - As criaturas na floresta

Os Ksariks

O combate contra os skreesires mostrou-se desafiador. Flynn estava estável graças à perícia improvisada de Ed, mas Hothspoth e Kassius também haviam sofrido ferimentos.

— Vamos esperar um pouco e nos recuperar — disse Flynn, ainda com cortes abertos pelo corpo.

O horário ainda permitia que continuassem. O ponto de encontro ficava a apenas algumas horas de caminhada, mas concluíram que seria mais prudente aguardar e recuperar parte das energias, caso encontrassem novos inimigos pelo caminho.

O percurso pela floresta densa não demorou a melhorar. Logo encontraram uma trilha que facilitou o trajeto.

Enquanto avançavam, um novo caça da Lança de Hierofante sobrevoou a floresta. Desta vez voava mais alto, mas ainda assim o estrondo supersônico reverberou sobre a superfície, sacudindo copas e folhas.

Depois de cruzarem um rio, continuaram até uma ponte de madeira. Rykk passou voando sobre ela, seguido de perto por Flynn. Do outro lado, um monstro emergiu da vegetação e atacou imediatamente.

O grupo não teve tempo para hesitar. Posicionaram-se e abriram fogo contra os inimigos.

Os ksariks eram criaturas psíquicas. O braço de Ed ressoava em sintonia dolorosa com a mente delas, mas isso não o impediu de agir. O operativo permaneceu do lado oposto da ponte, montando seu tripé para disparar com precisão. Enquanto isso, Flynn, Kassius e Hothspoth assumiram a linha de frente.

Flynn e Hothspoth canalizavam seus poderes solarianos para atingir as criaturas, que se embrenhavam na mata e atacavam a partir de posições ocultas. Kassius iniciou o confronto com seu fuzil, mas logo partiu para o combate direto com sua eficiente criolança.

— Suba nas minhas costas! — gritou Rykk para Ed.

O draconiano transportou o operativo para outra posição estratégica no campo de batalha. De lá, seus disparos contribuíram decisivamente para a derrota dos monstros, que murchavam como plantas envelhecidas ao morrer.

Garig não está sozinho

Após a queda do último inimigo, os aventureiros fizeram nova parada. A floresta mostrava-se traiçoeira, e a preocupação com os recursos tornava-se cada vez mais presente.

O ponto de encontro estava a pouco mais de uma hora de caminhada. Optaram por não aguardar demais. Dez minutos de descanso bastaram antes de retomarem a marcha.

O destino era uma construção no vale, às margens do rio. Um moinho erguia-se ao lado da água, com uma jangada ancorada próxima. Duas motos estavam estacionadas diante da estrutura. A estrada principal terminava ali, assim como a trilha utilizada pelo grupo.

Com cautela, aproximaram-se do local. Flynn seguiu na dianteira.

A porta estava entreaberta.

O solariano segurou a maçaneta e a empurrou lentamente, atento ao que encontraria do outro lado.

Garig estava lá.

Ao seu lado, um humano vestindo uma armadura robusta e portando uma arma pesada.

Castrovel, Mundos do Pacto, quinta-feira, 4 de Serenith do ano 325 DL.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

(LA) Sessão 28

As três rotas do Sete Rotas

A ameaça no armazém e o novo plano

Repentinamente, o Guia se viu cercado pelas paredes em ruínas da antiga construção de Telas. Seu sortilégio se desfez assim que as sombras ocuparam todo o ambiente.

A visão não lhe oferecia muitas pistas, mas seu faro não falhava: ele havia encontrado uma elfa sombria naquele armazém. Mais do que isso, ela fora capaz de detectar seu encantamento e sabia como quebrá-lo.

A porta da Casa dos Sonhos estava aberta. O Guia despertou os outros, com pressa:

— Eles estão lá agora! Vamos! Temos que falar com os outros! — alardeava, dirigindo-se a Réctor.

— Mas não seria melhor se eles não tivessem percebido? — ponderava o napol. — Precisamos pegar documentos.

— Tem uma elfa sombria lá. Ela tem uma lista. Ela entregou para uma mulher que deve ser ajudante desse tal cara aí. Talvez essa lista seja o que vocês querem.

— Pode ser alguma coisa relacionada a algum carregamento.

— Mas vamos entrar lá derrubando tudo? — preocupou-se Olgaria.

— É muito bem guardado. Eu vi pelo menos umas dez pessoas ao redor da casa, mas pode haver mais — contou o Guia, explicando ao grupo sobre as defesas que poderiam encontrar. — E tem mais uma coisa: eu não sei se eles têm domínio sobre as sombras, mas conhecem a “Arte das Sombras”, porque ela percebeu que eu estava lá e cortou o foco de luz.

— Os elfos sombrios têm dessas. Eu sempre suponho que eles sabem tudo o que está acontecendo — ponderou Demétrius. — É bem provável que estejam atentos.

Tendo em vista os obstáculos apresentados, os aventureiros resolveram realizar a missão em outra oportunidade, com melhor planejamento. Descansaram a noite na Casa dos Sonhos e retomaram a discussão no dia seguinte.

— Eu conheço uma pessoa que pode ter informações de como entrar naquele lugar… — disse Demétrius. O ladino falava de um meio-elfo residente de Telas conhecido como Larial ‘Sete Rotas’.

— Larial conhece toda a cidade. Se houver uma forma de entrar, ele saberá. Mas ele cobra em ouro.

Larial ‘Sete Rotas’

O grupo se dividiu em três frentes:

  • Demétrius e Réctor iriam ao Alambique de Vidro, a taverna onde Larial passava suas noites, para abordá-lo.
  • O Guia e Haldor infiltraram-se na taverna como clientes, com o objetivo de observar os acontecimentos.
  • Haftor, Garuk e Olgaria permaneceriam do lado de fora, à postos para qualquer contramedida necessária.

O Alambique de Vidro era uma estalagem simples, com odor forte de bebida desde a porta de entrada, mas com público muito variado, desde aldeões comuns até magos e aventureiros em busca de discrição.

Larial estava acomodado com três mulheres e um homem em uma das mesas mais abastecidas de bebidas. Demétrius se aproximou e sentou-se na mesa ao lado, onde alguns clientes já ocupavam a maioria dos lugares. Réctor, percebendo o desconforto daqueles que já estavam ali, puxou conversa e ganhou tempo. O napol ofereceu algumas de suas folhas de Láudis e vendeu um punhado de sementes para um aprendiz do Colégio Naturalista.

Não demorou muito para que Demétrius encontrasse o momento certo para abordar seu antigo conhecido. Os dois trocaram algumas palavras discretas, e logo Réctor foi apresentado. O trio deixou a taverna com os braços de Larial apoiados sobre seus ombros.

O Guia e Haldor, que haviam encontrado uma mesa discreta no canto da taverna, continuaram observando seus companheiros. O anão se levantou e tentou obter algumas informações das pessoas que dividiam a mesa com Larial, mas elas sabiam pouco. O Guia, por sua vez, observou pela janela o trio deixar a taverna e, pouco depois, também saiu dali.

Larial não pareceu muito à vontade ao notar o paladino de Crizagom por perto. Mesmo tentando ser discreto, o símbolo da justiça parecia uma visão que o incomodava profundamente.

— Hoje parece que as coisas estão meio estranhas. Até um paladino está rondando a taverna. É melhor irmos para o meu escritório. Não traz sorte a esta hora, mas pelo menos não traz prisão — disse Larial, enquanto guiava os aventureiros pelas ruelas de Telas até um sobrado em um beco sem saída.

O escritório era um cômodo amplo, com poucas janelas. Livros, pergaminhos e ferramentas espalhavam-se sobre bancos e estantes junto às paredes, mas uma mesa redonda central se destacava. Era organizada, com livros, papéis, tinta e penas. Larial garantiu a segurança do local:

— Não se preocupem, este lugar é protegido. Nenhum som entra, nenhum som sai.

— Hum, muito bom — elogiou Réctor, observando. — Eu também consigo fazer algo parecido.

— Cheio de segredos, o seu amigo, Demétrius! — comentou Larial, surpreso. — Podia trabalhar para nós, o que acha?

— Eu sou um espírito livre. Não posso ficar com vocês.

— Tenho certeza de que esse espírito livre tem seu preço, não?

— A riqueza é diferente para mim do que talvez seja para vocês… pelo menos do que é para Demétrius — justificou-se Réctor.

Percebendo que não convenceria o napol, embora não tenha fechado a porta para futuros negócios, Larial foi direto ao ponto. Consultando seus registros, mencionou que o prédio pertencera a “Lésia Silver” e que se tratava de uma construção recente, com não mais que trinta anos e, portanto, com poucas entradas.

— Tenho certeza de que alguém com suas habilidades conhece um caminho?

— Conheço. Mas é difícil, e dificuldade é caro.

— Mas seu “caro” é em ouro, ou…?

— O que eu faria com outra coisa? Ouro, é claro.

— Tenho coisas que podem ajudar você de várias formas — negociou Réctor, prevendo um custo elevado. — Sou versado em algumas magias, e muitas delas envolvem poções — revelou, abrindo o manto e mostrando os frascos.

— Os magos daqui têm muitas coisas assim também. Não parece ser tão raro… Vamos ver quanto isso vai lhe custar primeiro.

O trambiqueiro analisou as plantas, verificou as possíveis rotas e a dificuldade de reprodução. Após alguns minutos, concluiu:

— Faço uma cópia para vocês. Mas, como é um prédio novo e difícil de entrar e sair, o preço é 10 moedas de ouro.

— Nossa, tudo isso? — exclamou Demétrius.

— Acredito que seja justo — disse Réctor, pagando as moedas.

O meio-elfo fez a cópia diante deles e explicou que existiam três acessos alternativos para o prédio de Volrath:

  • Chaminé/telhado, a opção mais óbvia e mais vigiada;
  • A tecelagem vizinha, através de uma entrada secreta que se conecta ao armazém externo por um túnel subterrâneo. A tecelagem é frequentada por cerca de 40 trabalhadores diariamente;
  • O túnel pela floresta, uma passagem secreta antiga que percorre pelo menos duzentos metros entre a mata e o armazém interno. Este acesso, porém, é o mais perigoso.

— O túnel que vai à floresta é o mais perigoso. Estamos em Telas, e dizem que algumas criaturas foram colocadas lá para proteger a passagem e nunca foram removidas. A menos que tenham sido.

— Se você fosse entrar lá, por onde iria? — perguntou Réctor.

— Pela porta da frente, usando um convite. Não usando essas passagens. Mas, se querem acessar os armazéns externos, entrem pela tecelagem. Ali ninguém vai desconfiar, desde que consigam se disfarçar.

Réctor e Demétrius retornaram caminhando para o refúgio na mansão em ruínas, seguidos de longe pelo Guia e por Haldor.

Como de costume, o Guia não pernoitou na Casa dos Sonhos de Réctor. Sua noite ainda não havia terminado. Na floresta, o rastreador armou uma armadilha para capturar uma coruja e a deixou preparada até a tarde seguinte.

Um dia de preparativos

Na manhã seguinte, enquanto Haldor vigiava a tecelagem e estudava o comportamento dos trabalhadores, Haftor e o Guia decidiram investigar a origem do artefato anão adquirido anteriormente. Eles se dirigiram a um pequeno santuário de Selimon, onde o sacerdote Távio regava as plantas quando os viu chegar.

— Vieram fazer suas oferendas a Selimon? —

— Lembra-se de mim? — apresentou-se Haftor, com um gesto cordial. — Nós negociamos há algum tempo.

— Ah, sim, você é o sacerdote de Crizagom que procurava aquele objeto estranho.

— Trouxe um amigo, e queremos mais informações sobre o antigo proprietário dos itens que você adquiriu.

— Ah, eu apenas comprei aquilo. Era de uma comerciante itinerante. O nome dela era Elira, se não me engano.

— Ela ofereceu mais alguma coisa? — questionou o Guia, com sua habitual rispidez.

— Tinha muitas coisas para vender. Ofereceu uma tiara dourada, com algumas gemas. Também tinha armas, mas não me interesso por elas.

— E você sabe como podemos encontrar essa Elira? — perguntou Haftor.

— Ela disse que estaria em viagem por mais uns dois anos. Daqui, partiu para o noroeste, dizendo que atravessaria as montanhas acima das terras dos anões.

Haftor alertou o sacerdote sobre a possível procedência ilícita dos objetos que ele havia adquirido. Távio demonstrou surpresa e constrangimento, desculpando-se sinceramente.

O anão ofereceu seis moedas de prata a Selimon e deixou o santuário acompanhado do Guia. Durante a tarde, os dois se separaram. O paladino seguiu para o Colégio do Conhecimento com seu irmão, Haldor, enquanto o rastreador retornou à floresta para verificar sua armadilha.

— Creio que vocês já terminaram o serviço que tinham aqui — disse Asdrúbal com desdém, impedindo os anões de entrar.

— Não, ainda não. Temos assuntos pendentes. Você prefere ser advertido aqui ou prefere que eu chame sua superior?

A discussão durou alguns minutos, mas foi suficiente para convencer o arauto a permitir a entrada. Ele percebeu que não conseguiria impedi-los e não insistiu.

Dentro da biblioteca, Tessa realizava suas pesquisas. A aprendiz auxiliou os irmãos a encontrar uma cópia do Testamento da Ordem, um tomo enorme, manuscrito e extremamente antigo.

A leitura mostrou-se extremamente difícil. A caligrafia era irregular e o pergaminho estava muito deteriorado. Haftor estimou que o manuscrito tivesse quase dois mil anos.

Apesar das dificuldades, algumas informações relevantes foram extraídas.

O autor do Testamento da Ordem era Altherion de Corvear, um arqui-feiticeiro do Segundo Ciclo que havia fundado uma ordem mística. No entanto, o nome dessa ordem havia sido raspado ou apagado deliberadamente em todas as ocorrências no manuscrito.

Sabendo que permaneceriam em Telas por mais alguns dias, Haftor separou o tomo para estudá-lo com mais profundidade posteriormente. A tarde já avançava quando ele retornou ao refúgio.

Enquanto isso, a armadilha do Guia havia funcionado. Uma coruja piava assustada quando ele se aproximou. O sekbete espantou um predador próximo e lançou um encantamento sobre a ave, estabelecendo um elo espiritual entre ambos.

A nova ligação permitiu que ele começasse a ensinar truques à criatura — algo impossível sem aquela conexão mística.

Caça ou caçador

— O amigo do Demétrius me pareceu um cara bacana… igual ao Demétrius… — insinuava Réctor com sarcasmo, já na segurança de sua Casa dos Sonhos, depois que todos se reuniram. — Ele nos mostrou três possíveis entradas, duas viáveis: uma pela floresta, outra pela tecelagem. Disse que a melhor forma seria se disfarçando.

O feiticeiro explicou sobre os trabalhadores da tecelagem, cerca de quarenta, e que eles encerravam o expediente ao cair da noite. Também forneceu detalhes adicionais apresentados por Larial, enfatizando que a entrada pela floresta poderia trazer riscos inesperados caso encontrassem inimigos ou chamassem atenção.

— Mas, se não forem muito fortes, a gente dá conta — afirmou Olgaria.

— O problema é o barulho. Aqueles elfos sombrios não devem entrar pela porta da frente. Devem usar algum acesso alternativo.

— A não ser que também entrem disfarçados — completou a zumi.

Tendo antecipado a visita ao armazém, o Guia acrescentou uma observação importante:

— Aquela área que eu mencionei, o jardim interno que leva ao escritório, não parece ser acessível a todos os trabalhadores. Imagino que a maioria opere apenas no armazém maior.

Enquanto a discussão avançava, Haftor permaneceu em silêncio. Estava incomodado com o grau de confiança depositado no trambiqueiro. Por fim, dirigiu-se diretamente a Demétrius:

— Você confia muito nesse seu amigo? Ele é confiável o suficiente para conseguir o que precisamos?

— Por quê? Você está pensando em… — perguntou Demétrius, fazendo um gesto de degola com o polegar.

— Qual a chance de ele vender a informação de que estamos investigando o armazém?

Demétrius não hesitou:

— Eu diria que é certo que ele falaria, se alguém oferecesse dinheiro suficiente.

— Estamos mesmo cogitando matá-lo? — perguntou Olgaria, surpresa.

— Não, claro que não. Ele é um amigo agora — respondeu Réctor. — Espero que ele não nos coloque em perigo, Demétrius.

— Não se preocupem. Ele não fará nada que não possamos prever.

O planejamento continuou. Réctor sugeriu que apenas ele e Demétrius realizassem a infiltração.

Preocupado, o Atravessador respondeu:

— Se formos poucos, corremos o risco de sermos cercados.

— Então é melhor você não ir. Já está com medo. Eu posso ir sozinho.

— Eu vou. Não se preocupe. Vamos nós dois — respondeu Demétrius, ofendido.

O grupo permaneceu indeciso. Consideraram agir imediatamente, mas decidiram estudar o local por mais um dia antes de qualquer ação.

O Guia deixou a Casa dos Sonhos e assumiu sua posição de vigília nas ruínas. Aproveitando a porta aberta, apresentou sua nova companheira ao grupo:

— Este é Petisco.

A coruja pousava calmamente em seu braço.

Subitamente, o rastreador percebeu algo errado. A ave estalava o bico repetidamente, utilizando um dos sinais que ele havia ensinado horas antes.

Havia perigo.

De um buraco em uma parede parcialmente destruída, surgiu um rato de olhos vermelhos, carregando um pergaminho na mandíbula. Ao perceber que havia sido visto, o animal fugiu, deixando o manuscrito cair no chão.

— Ali! Viram o pergaminho?

Haftor recolheu o documento e imediatamente reconheceu o selo.

Minoliz.

A alcormi que comandava Vaela e seus asseclas no lago congelado. O anão leu o conteúdo em silêncio. Em seguida, compartilhou com os demais:

“Eu sei o que vocês fizeram com Margoth.

Aymon está perseguindo vocês.

Eu posso lhes oferecer o silêncio que precisam para sobreviver.

Cortesia de Minoliz.

Encontrem-me amanhã à noite, na Rua do Elemento Partido, penúltima casa antes do Jardim dos Prazeres.

Syllen’nae.”

Telas, dias 10 e 11 do mês da Sabedoria do ano de 1502.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

(VS) Sessão 22

O Som Relicário

A jornada pela floresta

Edric conduziu a nave para uma aterrissagem em uma clareira às margens de uma vasta área florestal, uma região discreta e distante dos grandes centros urbanos do planeta.

— Todos os sistemas estão desligados. Vou ativar a camuflagem de sistemas. Isso impedirá que ondas de rádio e outras transmissões que vocês enviarem sejam detectadas — anunciou Berenice.

Após uma breve conferência entre a tripulação para decidir quem iria ao encontro de Garig, o capitão determinou que Pip ficaria responsável pela nave e pela vigilância de Allen e Vexia. Astra o acompanharia. Enquanto isso, Rykkgnaw, Edric, Hothspoth, Flynn e Kassius partiriam ao encontro do líder solariano.

A caminhada pela floresta densa e úmida tinha previsão de durar algumas horas. Apesar da existência de trilhas, sua manutenção era precária e a progressão era lenta. Os insetos eram uma perturbação constante, mitigada pelo uso de repelentes, conforme sugerido por Ed.

Assumindo a dianteira devido às suas habilidades de sobrevivência, Flynn encontrou marcas de veículos e pegadas humanoides em um trecho mais preservado da trilha. Logo em seguida, Hothspoth detectou movimentos na vegetação e teve a clara impressão de estar sendo observado.

O solariano tentou avançar discretamente para abordar os intrusos, mas perdeu o contato. Ed, no entanto, encontrou pegadas recentes de botinas de tamanho humano.

— São quatro indivíduos mais ou menos do mesmo tamanho, se deslocando em marcha leve naquela direção — apontou Flynn, após analisar o rastro.

Antes que pudessem prosseguir com a perseguição, um estrondo supersônico irrompeu do céu, levantando folhas e sacudindo as árvores. Uma nave da Lança de Hierofante sobrevoou a floresta em voo rasante.

— Ela não detectou a nave. Passou muito rápido — informou Berenice, para alívio do grupo. — Tenho imagens do caça.

Berenice reproduziu as imagens capturadas pelas câmeras da nave em solo. Era um veículo pequeno, provavelmente em patrulha, que passou a cerca de três quilômetros do local de aterrissagem.

Apesar da preocupação causada pela presença da Lança de Hierofante na região, o grupo optou por seguir a trilha e investigar os vigilantes, desviando-se parcialmente do caminho que levaria até Garig.

Os guerrilheiros elfos

A trilha conduziu o grupo até uma grande clareira na floresta. Imediatamente, o braço de Ed latejou com intensidade, como se estivesse na presença de outro relicário. Um som agudo ecoava periodicamente e, a cada pulsação, Ed sentia uma dor lancinante.

Um enorme tronco caído, com cerca de 2,5 metros de largura, bloqueava a visão direta da clareira. Para observar além dele, Rykk sobrevoou o obstáculo.

Do outro lado, encontrou quatro elfos armados, preparando um dispositivo no solo.

Eram guerrilheiros. Ao avistarem Rykk, abriram fogo imediatamente.

O confronto teve início. Hothspoth ultrapassou o tronco com sua mochila a jato, enquanto Flynn e Kassius escalaram o obstáculo para saltar do outro lado.

Os elfos abandonaram o dispositivo e buscaram cobertura, disparando contra Rykk e qualquer outro alvo que surgisse.

— Eles chegaram antes da hora — disse um dos guerrilheiros em élfico.

A frase foi traduzida por Berenice e transmitida ao grupo.

O dispositivo no chão era a fonte da dor de Ed. A cada pulsação, uma onda de sofrimento irradiava de seu braço.

Poucos segundos depois, dois monstros emergiram da floresta e entraram no combate. Os elfos passaram a atirar tanto no grupo quanto nas criaturas.

Com três facções envolvidas, o confronto tornou-se caótico. Flynn e Kassius avançaram para a linha de frente. Rykk concentrou-se em um dos guerrilheiros. Ed permaneceu próximo ao dispositivo, enquanto Hothspoth manteve distância, disparando seus raios solares.

Os monstros, skreesires, atraíram Rykk para mais perto. O draconiano havia agarrado um dos guerrilheiros e tentava erguê-lo no ar, mas foi obrigado a se reposicionar diante da ameaça maior. Ainda assim, conseguiu se desvencilhar graças à cobertura de Flynn e Kassius.

Com o braço imobilizado pela dor causada pelo dispositivo, Ed desistiu de usar seu rifle e avançou diretamente até o aparelho. Isso o tornou o alvo principal dos elfos, mas o operativo foi rápido o suficiente para alcançá-lo, pegá-lo e desligá-lo.

Imediatamente, os elfos iniciaram sua retirada. Mesmo o guerrilheiro que Rykk havia arremessado contra um skreesire conseguiu se recompor e fugir. Ainda disparavam contra as criaturas, mas não demonstravam mais intenção de manter o confronto.

Flynn encontrava-se no centro do combate. Cercado pelos dois monstros, utilizou toda a sua força para matar um deles, mas sofreu ferimentos graves no processo.

Coube a Kassius e Hothspoth eliminar o último inimigo. Com uma explosão solar, o skreesire restante foi incinerado.

Edric socorreu Flynn. Utilizando o próprio kit médico do solariano, conseguiu estabilizar seus ferimentos e colocá-lo fora de perigo.

Os elfos, porém, já haviam desaparecido na floresta. Os esforços de Rykk para rastreá-los não tiveram sucesso.

Castrovel, Mundos do Pacto, quinta-feira, 4 de Serenith do ano 325 DL.