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quinta-feira, 5 de março de 2026

(VS) Sessão 25

Em busca de Tanaka

A pesquisa do Dr. Allen

Berenice deixou a Deriva no cinturão de asteroides. O destino era Bullet, um pequeno asteroide que servia de base para a Lança de Hierofante e possível paradeiro de Kenji Tanaka.

Antes de iniciarem a aproximação, após perceberem que o local era bem vigiado, Rykk teve um plano.

O Dr. Allen havia sido capturado pelos aventureiros enquanto desenvolvia sua pesquisa relacionada à SMD. Além disso, talvez soubesse algo sobre Kenji Tanaka. Com isso em mente, o capitão ordenou que Berenice conduzisse o pesquisador patrocinado pela Lança de Hierofante até a ponte.

Guiado pelas luzes que se acendiam e indicavam o caminho de forma inquietante, o Dr. Allen deixou seu quarto e seguiu rumo à ponte. Apreensivo, chegou a preparar uma pequena faca, mas foi prontamente desarmado quando Rykk ordenou que Berenice ativasse as travas magnéticas dos corredores.

— Vão me matar? — questionou o Dr., intimidado, assim que pisou na ponte.

— Não se preocupe, isso nunca passou pela nossa cabeça — tranquilizou Rykk, com um tom suspeito. — Você não está aqui por isso, não, meu querido. Nós estamos aqui para conversar. O senhor estava trabalhando com a Lança, certo?

— Certo. Minha pesquisa tem alguma coisa a ver com eles.

— Você não estava fazendo pesquisa para eles? Estamos indo em direção ao asteroide Bullet, onde encontraremos o Dr. Tanaka. Você já deve ter ouvido falar dele. Trabalham para o mesmo empregador.

— Eu já ouvi falar do Dr. Tanaka, mas ele desapareceu há alguns anos.

— Nós estamos indo nos encontrar com ele. Ele está vivo. Você quer ir conosco?

— Sim, eu posso ir com vocês. Seria interessante conhecer essa pessoa. Ele tem pesquisas impressionantes e uma área muito semelhante à minha.

— E qual é, exatamente, a área de sua pesquisa?

O doutor começou explicando sua pesquisa com entusiasmo, mas ainda com desconfiança. Os termos técnicos eram confusos, e o Dr. parecia duvidar da capacidade do grupo de compreendê-los. Rykk passou a complementar algumas informações com base em seu conhecimento de biologia. O retorno que recebeu no diálogo aumentou a confiança do Dr., que passou a explicar seu projeto de forma mais clara.

— Eu buscava aprimorar o reator de absorção de fluxo. Meus estudos focavam em fluxo de anti-energia estabilizada, que empregava o reator para obter uma rotação ideal — algo que a Lança calculava e determinava como o ponto-chave para romper o tecido da realidade. Eu utilizava cristais de fluxo negro para isso.

— Eu peguei um cristal da sua pesquisa — interrompeu Hothspoth.

— Você o roubou? — corrigiu o Dr. Allen.

— Não, ele sacou — pontuou Rykk.

— Assim como eu e minha pupila. Como está ela? Ainda está viva?

— Claro que está viva! — indignou-se Rykk. — Que neura é essa com morte?

— Eu não tenho muitas razões para pensar em coisas alegres aqui nesta nave.

O debate então migrou para as implicações morais e militares da pesquisa. Allen afirmou que buscava a cura para a Síndrome da Marcha Definhante (SMD), mas admitiu o potencial bélico da tecnologia.

— Eu estava muito perto de conseguir uma cura para a síndrome da marcha definante. Se eu conseguisse estabilizar essa rotação, teria a SMD sob meu controle.

— Poderia criar uma arma que difundisse SMD por toda uma grande área, um planeta, quem sabe.

— Eu não faria isso.

— A Lança de Hierofante faria.

— Eu duvido. Por mais que vocês não acreditem na moral daquelas pessoas, meu patrocinador é uma pessoa de honra.

— E quem é seu patrocinador?

Hesitante, o Dr. Allen virou o rosto e permaneceu em silêncio por longos segundos.

— Eu não posso revelar. Assinei um contrato de confidencialidade.

— Você sabe que sua pesquisa não seria, de maneira nenhuma, usada para o bem do universo. Concorda?

— É claro que seria! Por mais que toda grande descoberta tenha suas implicações militares, elas também trazem o bem comum.

— Sinto lhe informar, mas sua pesquisa já está sendo militarizada. E a Lança está achando uma forma de aplicá-la, mesmo incompleta.

— Eu não acredito que sejam pessoas relacionadas aos meus patrocinadores. Se eu estivesse no meu laboratório, de posse da minha pesquisa, eu não deixaria isso acontecer. Mas vocês me tiraram de lá há quanto tempo? Eu perdi a noção de tempo.

— Você não tem autonomia sobre isso. Se você se opusesse, lhe matariam. Você mesmo disse que Tanaka foi dado como morto.

— Minha pesquisa tinha gatilhos para eu ativar, caso algo de imprevisto acontecesse.

A conversa foi interrompida subitamente por Berenice.

— Capitão, detectaram nossa presença aqui. Consegui camuflar nossa identidade, por enquanto.

— Então vamos seguir com o plano original — disse Rykk. Voltando-se para Allen: — E o senhor pense a respeito disso enquanto resolvemos esse pequeno percalço.

Perto demais

— Kassius, conduza o Dr. Allen até seu quarto.

O soldado segurou firmemente o Dr. e começou a conduzi-lo pelos corredores da nave. No caminho, Allen tentou uma abordagem que irritou profundamente o tripulante.

— Você é mercenário?

Kassius permaneceu em silêncio, conduzindo seu escoltado com firmeza.

— Meus patrocinadores são muito ricos. Posso conseguir pagadores melhores para você. Me ajude a sair daqui.

— Vou te ajudar — respondeu Kassius, irritado. — Quanto está valendo um dedo?

O soldado quebrou um dos dedos do Dr. Allen.

— Aah, meu dedo! — Mesmo gemendo de dor, o Dr. Allen manteve sua prepotência. — Você está quebrando um material importante para toda a galáxia, seu imbecil.

O soldado quebrou outro dedo de Allen.

— Se você não disser nada até chegarmos ao seu quarto, ficará só nestes dois, combinado?

— Você não sabe com quem está lidando.

O argumento fez Kassius quebrar mais dois dedos do Dr. Allen, que deixou os óculos caírem ao contorcer-se de dor. O soldado pisou neles, desencorajando novas tentativas do cientista.

Kassius colocou os ossos partidos do Dr. no lugar antes de empurrá-lo porta adentro de seu quarto.

— Não se preocupe, não é nada pessoal.

Enquanto isso, a ponte estava em alerta máximo.

— Capitão, tenho informações — anunciou Berenice. — Eles detectaram que há uma nave estranha nos arredores. Percebi que são cinco naves inimigas, caças. Apesar de pequenas, desafiá-las seria arriscado.

O grupo optou por se afastar para longe da infosfera do asteroide e permanecer fora dos sistemas de detecção inimigos.

Alguns minutos depois, Berenice detectou um objeto movendo-se em alta velocidade na direção de Bullet.

— Todos à postos! — gritou o capitão. — Tentem descobrir quem está nessa nave.

A nave científica cruzou com Berenice a algumas dezenas de quilômetros. No entanto, a passagem foi tão rápida que os sensores não conseguiram coletar muitas informações.

— A nave emitia um rastro de energia sepulcral — alertou a IA. — Filhos da puta! Tem uma parte do Santo naquilo — indignou-se Rykk.

— Não calculo que seja para tanto, mas sugere que ela esteja envolvida com pesquisa de SMD de alguma forma — estimou Berenice. — Talvez seja necessário um pouco mais de investigação. Ainda estão ao nosso alcance.

— Tentem invadir os sistemas deles.

A tentativa de invasão falhou. Porém, Ed conseguiu triangular sua rota e estimar o destino nos Mundos do Pacto: Akiton, Triaxus ou Eox.

Flynn, ao perceber que a nave emitia uma radiação sepulcral detectável no espaço, preocupou-se com a situação de Berenice.

— Nós emitimos esse tipo de radiação também, mesmo depois de termos feito uma limpeza?

— Sim — respondeu Berenice. — Fomos expostos a uma grande quantidade de radiação sepulcral quando estivemos em K375.

— Capitão — interrompeu Astra. — Concluí a análise de alguns dados que coletei enquanto estávamos na infosfera de Bullet. Detectei sinais de pelo menos 100 seres orgânicos lá dentro.

— Tem uma galera lá, hein? — surpreendeu-se Rykk. — E a troco de quê? Talvez para descobrir que o Tanaka estava na nave que acabou de ir embora.

O grupo decidiu se arriscar. Comandada manualmente pelas mãos de Ed, Berenice reentrou na infosfera de Bullet. A IA dedicou quase toda a sua capacidade de processamento para camuflar os sistemas da nave, obrigando a tripulação a agir por conta própria durante a invasão de sistemas.

O piloto deixou o manche e assumiu o comando dos computadores de invasão. Ele conseguiu estimar que a trajetória do asteroide era irregular, marcada por alterações artificiais.

O grupo também obteve manifestos de carga e o histórico de atracagem das naves, descobrindo que a nave científica havia permanecido aportada por 28 dias antes de partir e cruzar com eles no espaço.

A análise inicial concluiu que Bullet possuía tecnologia sofisticada, mas apostava na camuflagem natural de um asteroide em vez de uma segurança digital reforçada, o que permitiu ao grupo planejar um aprofundamento na pesquisa de dados sobre os experimentos de Tanaka.

O viajante do espaço

Rykk e Hothspoth continuam as tentativas de infiltração. O solariano fracassa em algumas tentativas de roubar uma identidade falsa das naves encontradas no manifesto, mas Rykk tem sucesso.

Após cerca de 20 minutos de coleta de dados, o capitão conseguiu clonar a identidade de uma nave chamada Memória de Shilos, comandada por um verthani chamado Signus. O grau de acesso alfa garantiria tráfego seguro pelos sistemas do asteroide, mas ainda existiam outras camadas de segurança que o cartão não romperia. Além disso, serviria como uma camada descartável caso fossem descobertos.

Porém, o sistema de segurança do asteroide detectou as diversas tentativas de invasão e reforçou os protocolos, tornando os acessos cada vez mais arriscados.

Ed tentou uma abordagem diferente e muito mais simples: enviou uma mensagem falsa de phishing, utilizando o nome de Signus como remetente.

A estratégia simples funcionou, abrindo um rombo na segurança reforçada de Bullet. O piloto logo percebeu que o próprio Kenji Tanaka havia aberto a mensagem falsa, expondo seu terminal ao acesso externo.

— Confirmamos que o Tanaka ainda está lá! — comemorou Ed.

Tanaka tinha acesso a todos os dados científicos realizados em Bullet, embora não tivesse qualquer controle sobre o sistema de segurança do asteroide.

O grupo explorou os dados e descobriu que o cientista continuava pesquisando rastros de energia sepulcral, frequência de rotação de corpos afetados e alguns detalhes técnicos relacionados ao Santo: Tanaka continuava sua busca por cobaias para mesclar aos fragmentos dele.

Os aventureiros tentavam descobrir se o asteroide guardava algum fragmento relicário, mas Berenice alertou que o processamento dos dados levaria pelo menos 10 minutos. No entanto, o tempo se esgotou quando os sensores detectaram uma ameaça externa em aproximação balística.

— Estranho, parece um ser vivo — disse Astra.

— A gente consegue ter alguma imagem dessa criatura? — indagou o capitão.

A imagem capturada parecia mais com um cometa. Envolta em uma bola de energia, a criatura se deslocava muito acima da velocidade que uma mochila a jato poderia alcançar no espaço.

Edric moveu a nave para sair da rota da criatura, mas percebeu que ela corrigia a trajetória e voltava-se para Berenice.

— O objeto não identificado está emitindo uma fraca radiação sepulcral — anunciou a IA.

Flynn, concentrado nos sensores de vida, percebeu que se tratava de uma forma de vida mista: era um androide.

— Eu vou lá falar com ele no espaço — decidiu Hothspoth, partindo em direção à ala de carregamento. — Vou fazer a guarda da nave.

O solariano verificou a carga de sua mochila a jato, abriu as comportas e ficou sobre a plataforma de carga, exposto ao espaço sideral, protegido apenas pelo escudo de Berenice, alguns metros à sua frente.

— Alguém tem que receber o convidado — disse o solariano, em guarda.

A criatura, envolta em uma “bola de fogo”, desacelerou bruscamente a 500 metros de distância e chocou-se de forma controlada contra o escudo.

— REEEED, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AÍ! — gritou o androide, que tinha aparência de um verthani modificado.

Imediatamente, na ponte de comando, os alarmes de segurança dispararam. O sistema de energia falhou.

— Estão tentando nos hackear — informou Berenice, com a voz trêmula.

— É a porcaria de um hacker. Vamos embora! — ordenou o capitão.

Ed tentou reativar os sistemas, mas não houve tempo. A energia falhou, Berenice desligou-se.

A escuridão tomou conta da nave.

Diáspora, Mundos do Pacto, domingo, 7 de Serenith do ano 325 DL.

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