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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

(VS) Sesão 24

O plano de Garig

O moinho na floresta

Flynn analisava com cuidado o sujeito que acompanhava Garig naquele moinho: alto, vestindo uma armadura pesada e carregando uma bazuca. Porte de soldado. O mais preocupante: era desconhecido.

— Quem seria seu companheiro, Garig? — indagou Flynn, com desconfiança.

— Este é Francis, um protetor leal.

Flynn não se atreveu a entrar. Seus companheiros, no entanto, tomaram a iniciativa. Hothspoth caminhou até o centro do armazém, removeu o capacete e observou o soldado. O símbolo da Aliança Solar em seu traje lhe trouxe mais confiança.

Mais uma nave quebrando a barreira do som sobrevoou os aventureiros.

— A Lança de Hierofante tem uma base militar aqui perto. Está em ação há algumas semanas. É preocupante — revelou o soldado, com voz firme e ríspida.

— Não para nós — interveio Garig. — Estamos apenas de passagem e ninguém nos detectou.

— A gente também não foi detectado, mas estamos mergulhando a fundo no assunto da cura da SMD — começou Rykkgnaw. — Trouxemos algumas informações para compartilhar, e tinha que ser pessoalmente.

Uma breve pausa se seguiu. Garig mostrou-se interessado em escutar. Rykk continuou:

— Bom, primeiramente falaremos sobre dois projetos da Lança de Hierofante: o Projeto Eucarion e o Projeto Receptáculo. O Projeto Receptáculo envolve partes de um santo que se espalhou fechando fendas. Na verdade, essa entidade existiu. Ele fechava fendas e, por algum motivo, acabou se dividindo em partes. A Lança está atrás dessas partes para colocá-las em pessoas.

Garig demonstrou interesse técnico e questionou as fontes dessas informações. O grupo detalhou as descobertas feitas no cofre da Lança no planeta Viez. Hothspoth explicou que Gre-ôn era o “paciente zero” da Dra. Evelyn Reed e que a consciência da doutora agora estava fragmentada dentro da nave Berenice.

A pauta

Para conduzir a reunião ao ponto principal, Rykkgnaw apresentou sua pauta.

— Descobrimos uma possibilidade de cura ou convivência com o eco sepulcral. Uma raça chamada Karuum, que habita um planeta protegido por um fragmento do Santo, parece resistir à síndrome. Precisaríamos evacuar o planeta e assimilar essa âncora de proteção contra a radiação sepulcral, evitando que a doença se espalhe.

— Eles resistem à doença mesmo expostos a um fragmento como esse? — perguntou Francis.

— Essa raça vive isolada e em relativa harmonia com o fragmento, que eles chamam de âncora.

O grupo explicou a relação entre a âncora e o frágil equilíbrio cósmico do planeta: sua chegada, as consequências de sua remoção e a relação religiosa que os nativos desenvolveram com ela.

Também enfatizaram o risco de a localização ser descoberta pela Lança de Hierofante.

— Assim que a Lança souber desse pedaço do Santo, acabou para eles — temia Rykkgnaw.

— E onde fica esse planeta? — perguntou Francis.

— É melhor não revelarmos por enquanto — respondeu Rykk.

— Mas esse pedaço do Santo é físico?

— É físico — afirmou o draconiano. — Parte de um corpo de um ser que talvez seja divino. Não sabemos exatamente o que ele é. Sabemos apenas que protege essa raça da destruição do planeta deles. O planeta está em rota de colisão com seus dois sóis, mas essa âncora mantém sua estabilidade física.

— E quem são esses Karuum?

— Seres minerais insetoides adaptados a uma gravidade de 4G — explicou Hothspoth.

— As simulações do computador de nossa nave confirmam que a remoção do Santo provocaria o colapso do planeta em apenas doze horas.

Os aventureiros usaram todos os argumentos possíveis para convencer o solariano.

— Uma cura… vocês acreditam que isso seja possível? — perguntou Garig.

— A biologia deles pode representar uma cura. Pelo menos sabemos que são imunes. É uma esperança.

Francis, ainda empunhando sua bazuca, voltou a perguntar:

— Vocês têm as coordenadas desse local?

— A chance de cura só existe se evacuarmos a espécie — respondeu Rykk. — Está no DNA deles. Precisamos preservá-los, realocá-los e depois retirar a âncora.

— Treze milhões? — impressionou-se Garig. — A logística de algo assim seria… sem precedentes.

O androide pediu alguns instantes para processar os dados.

— A Aliança Solar poderia iniciar a construção de uma nave de transporte dedicada em seus estaleiros em Akiton — disse ele após alguns segundos — porém o tempo estimado seria de meses.

— Os Karuum não dispõem de meses. No máximo semanas — respondeu Rykk.

— Precisarei usar os sistemas de busca estelar em Akiton para encontrar um novo lar para essa espécie. As condições de sobrevivência deles são bastante peculiares.

A frequência do eco

Hothspoth apresentou o dispositivo sônico capturado dos guerrilheiros elfos.

— Posso ativá-lo? — perguntou Garig.

— Pode. Mas isso vai me causar uma dor lancinante no braço — ironizou Edric.

Ao pressionar o botão, o dispositivo emitiu um ruído agudo e Ed reagiu imediatamente com gritos de dor.

Garig realizou um escaneamento rápido.

— A frequência é de 77 Hz. A mesma da radiação sepulcral. É o eco sepulcral.

O androide devolveu o aparelho para Hothspoth.

O momento técnico foi interrompido por um alerta de Berenice:

— Senhores, a emissão do sinal parece ter alertado a base da Lança. Detectei movimentação a alguns quilômetros daqui.

— Vamos sair daqui imediatamente! — ordenou Rykk.

A fuga de Castrovel

Ed foi o escolhido para conduzir o veículo carregado de bens.

Antes de partir, Rykk e Garig discutiram um local e uma data para um novo encontro. Absalom foi descartada em razão da vigilância da Frozen Trove, e acabaram marcando a reunião em Vesk Prime.

— Talvez não seja muito seguro, mas está fora do radar da Lança de Hierofante por enquanto — afirmou o solariano.

Nesse instante, uma nave de caça da Lança de Hierofante realizou um voo rasante sobre o moinho, fazendo o solo e o rio oscilarem com a reverberação.

— Parece que eles já enviaram uma tropa de batedores. É melhor se apressarem — informou Berenice pelos comunicadores dos cinco aventureiros estelares.

Com uma despedida rápida, o operativo foi levado na carona de Garig até a camionete todo-terreno.

O veículo estava estacionado em frente a um grande mercado, na periferia de uma pequena cidade. Garig entregou a etiqueta eletrônica de acesso da camionete para Ed e apresentou o passageiro que ocupava o banco do carona: um robô.

— Este é 661. Não se preocupe com ele, está programado para obedecer você.

O operativo se acomodou na cadeira com um olhar desconfiado para seu copiloto autômato. Garig, porém, retomou a conversa.

— Ei, Ed, tome cuidado. A viagem a Vesk pode ser rápida, mas Vesk é um local perigoso. As coordenadas estão no painel do veículo. É longe de qualquer cidade. Vamos tentar ser discretos.

— Não se preocupe, Garig. Discrição é o nome do meio desse grupo. Nós nunca faríamos algo que chamasse atenção.

— Não se esqueça de outra coisa importante. Apenas a nave de vocês é irrastreável para a Lança.

Ed ativou os motores do veículo e seguiu viagem, interagindo com o robô copiloto de personalidade configurável.

Já no compartimento de carga da Berenice — sobre a quadra de basquete — o operativo, auxiliado por Astra, Pip e 661, começou a descarregar as 12.000 cápsulas de UBPs que a Aliança Solar havia enviado. Além delas, havia 20 granadas e 20 medpatchs.

Com a carga do veículo vazia, Ed retornou para a floresta e reencontrou o grupo, reduzindo o tempo de caminhada deles.

Os planos antes de Vesk

Os preparativos para a decolagem começaram assim que todos assumiram suas posições na ponte.

— Capitão, a frota de defesa ainda está na atmosfera. Como vamos passar por ela? — questionou Berenice.

— E se a gente passar como quem não quer nada?

— Nesse caso, sugiro que peguemos uma rota comercial e partamos de uma cidade importante.

Edric iniciou a navegação manual, mantendo a Berenice abaixo dos radares enquanto sobrevoava a floresta em direção a uma zona urbana, tentando camuflar a assinatura da nave. Ao se aproximarem da cidade, a IA apresentou o plano de infiltração.

— Precisamos clonar a identidade de uma nave comercial.

O capitão alterou os dados de identificação da espaçonave. O sinal foi aceito sem questionamentos pela frota de defesa.

A nave deixou a atmosfera de Castrovel e traçou uma rota para a Diáspora, com o objetivo de localizar o Dr. Tanaka antes de seguir para o encontro final em Vesk Prime.

A jornada até o cinturão de asteroides levaria três dias pela Deriva.

Tempo precioso para os aventureiros melhorarem seus equipamentos com os UBPs fornecidos pela Aliança Solar.

Com isso, Kassius e Ed tiveram suas armas aperfeiçoadas. Flynn melhorou a qualidade de seu escudo. Hothspoth e Rykk focaram em aprimorar suas armaduras.

Dos 12.000 UBPs recebidos, restavam ainda 5.538 para futuras necessidades.

Os aventureiros estavam prontos para o que encontrassem.

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