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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

(VS) Sessão 21

Sessão 21 – Rastros na Diáspora

O surto de Ed

Ed caiu inconsciente na sala de contenção após entrar em contato com o fóssil âmbar. A oscilação de seus sinais vitais alertou imediatamente Berenice, que comunicou o capitão.

— Mande Astra para lá. Eu já vou — ordenou Rykk.

Kassius, Hothspoth e Flynn também se dirigiram ao local.

Astra já atendia o paciente quando Rykk chegou. A androide informou que Ed estava estável, mas precisava ser transferido para a ala médica. Com a confirmação de que não havia ferimentos graves, a tripulação se dispersou.

Edric despertou dentro de um tubo de recuperação. Astra monitorava seus processos biológicos e drenou o líquido regenerativo assim que percebeu o retorno da consciência.

— Que bom que despertou, Ed. Está se sentindo melhor?

Ainda desnorteado, o operativo falou diretamente com o capitão:

— Capitão… eu vi. Eu toquei no vidro. Eu toquei no cérebro.

— Você teve alucinações? — questionou Astra.

— Não foram alucinações. Eu sou um vidente — respondeu Edric, com convicção.

Astra não se mostrou plenamente convencida e recomendou observação contínua. Rykk, porém, acreditava no relato.

— Não são necessariamente alucinações, Astra. Parece haver uma conexão extradimensional envolvida.

— Você viu essa entidade, o Santo, “andando” no espaço? — perguntou a cientista.

— Tecnicamente, era eu. Mas sim, foi exatamente isso.

Edric relatou os conhecimentos adquiridos durante a simbiose temporária com o relicário. Confirmou a lenda do Santo da Fenda e revelou um detalhe inédito:

— Esses fragmentos são partes do corpo de um santo de eras passadas. A lenda é verdadeira. Ele fechava fendas dimensionais… e se despedaçou por vontade própria após fechar a última.

Edric descreveu o corredor metálico de sua visão, a sombra se espalhando e atingindo pessoas desconhecidas — exceto por uma.

— Irlanda — disse ele. — Vi o tentáculo atravessar o corpo dela.

— Onde? — perguntou Flynn, tenso.

— Eu não sei. Era apenas um corredor. As pessoas não reagiam… como se não percebessem nada.

O grupo questionou se Berenice havia desbloqueado novas memórias do projeto Receptáculo. A IA explicou:

— Os desbloqueios dependem de gatilhos específicos. Continuo tentando, mas certos eventos parecem funcionar como chaves criptográficas. Um encontro direto com Tanaka pode liberar novos fragmentos.

O Reciclo

A missão seguinte exigia discrição: entregar uma mensagem a Garig. Berenice alertou que transmissões convencionais poderiam ser interceptadas. Pip sugeriu um mensageiro robótico na Diáspora.

O destino foi Reciclo, um asteroide pirata de cerca de quatro quilômetros de diâmetro, oculto em meio à nuvem de detritos da região.

— É aconselhável pilotagem manual o tempo todo, Ed — alertou Berenice.

— Relaxa… não é como se eu tivesse desmaios aleatórios — respondeu ele, com pessimismo habitual.

Ao se aproximarem, a nave foi interpelada:

— Atenção, nave desconhecida. Informe suas intenções.

— Comércio — respondeu Rykk.

— Comércio registrado. Acesso autorizado. Armas estão apontadas. Não tentem nada.

Berenice mergulhou a nave em uma abertura colossal no centro do asteroide. A aterrissagem foi feita automaticamente por tração magnética.

Pip anunciou que permaneceria a bordo.

— Acho que minha antiga tripulação ainda anda por aqui… e eu devo algumas décadas de serviço.

Astra também decidiu ficar.

— Este lugar é um desmonte. Não é seguro para androides.

Antes de desembarcar, o grupo revisou a descrição do mensageiro-alvo, gerada por Berenice:

— Um robô um pouco mais alto que Flynn, um pouco mais baixo que Rykk, cabeça quadrada, dois braços, duas pernas e quatro olhos vermelhos. B9i.

Hothspoth, Flynn, Kassius, Rykk e Edric desceram até um bazar gigantesco e caótico. Prédios incrustados nas paredes da cavidade conviviam com barracas improvisadas. Oficinas vendiam artefatos, implantes e serviços ilegais. Espécies e máquinas de todos os tipos se misturavam.

Edric e Hothspoth notaram que cada barraca possuía câmeras próprias, mas nenhuma monitorava os corredores públicos.

Ainda marcado pelo incidente em Triaxus, Hothspoth adquiriu tecnologia de contravigilância em uma banca especializada.

— Quero um microfone com localizador.

O equipamento foi comprado sem garantia de autenticidade, apesar da insistência de Hothspoth.

Flynn tentou negociar alguns itens, mas desistiu diante dos preços predatórios.

— Vale dois mil créditos — disse, mostrando um cristal solariano.

— Pago cinquenta — respondeu o comerciante.

Indignado, Flynn encerrou a negociação.

Os Mensageiros

O grupo dirigiu-se à sede dos Mensageiros, indicada por Pip. Um robô recepcionista os recebeu:

— Somos os mensageiros mais confiáveis da Diáspora.

— Procuro B9i — disse Rykk.

— Desaparecido. Última vez visto com indivíduos de baixa reputação.

— Então me recomende outro.

Após opções e cálculos, Rykk escolheu Cortex Édher.

O mensageiro chegou pontualmente. Tinha corpo robusto, braços longos e cabeça monocular. Ao apertar a mão de Hothspoth, o solariano implantou discretamente o rastreador.

Em uma sala hermeticamente fechada, o grupo redigiu duas mensagens usando codificação fotônica e gravitônica. Cortex recebeu as coordenadas de entrega em Solária.

— 350 créditos. Entrega em até três dias.

Negócio fechado, o grupo retornou à nave.

O surto de Vexia e a chegada a Castrovel

Ao regressarem à Berenice, Astra informou que Vexia Flux sofrera um ataque de pânico. Ela fora sedada e colocada em um tubo regenerativo após se ferir ao tentar forçar a saída de seu quarto.

Ao despertar, Vexia tentou minimizar o ocorrido, mas Rykk voltou a interrogá-la sobre o acesso não autorizado aos sistemas da nave. Não obteve novas respostas.

Preocupado, o capitão restringiu severamente a liberdade dos dois cientistas. Berenice bloqueou seus terminais e intensificou o monitoramento. O Dr. Allen, embora não soubesse do surto da pupila, recebeu o mesmo tratamento.

Com tudo resolvido, Ed iniciou a viagem para Castrovel pela Deriva. Dois dias depois, ao emergirem do salto, Berenice detectou uma presença militar maciça na órbita do planeta. Tratava-se da frota de defesa local — mas havia assinaturas mercenárias compatíveis com a Lança de Hierofante.

A frota iniciou o protocolo de identificação.

Rykk decidiu agir rápido: a nave se passaria por comerciante para evitar inspeções.

O blefe funcionou. Acesso autorizado.

Edric conduziu manualmente a descida até uma savana, escolhida para permitir uma aproximação furtiva pela floresta, onde encontrariam Garig.

Terça e Quarta, 2 e 3 de Serenith de 325 DL.

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