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domingo, 8 de fevereiro de 2026

(LA) Sessão 27

Lismara Kel

Os testes

Antes de pernoitar na Casa dos Sonhos, Réctor e Garuk realizaram alguns experimentos com a Água Fria da Dama que haviam comprado do menino na praça.

O feiticeiro notou que o líquido permanecia gelado dentro do frasco. Garuk sacou o prisma e percebeu um brilho leve sendo emitido quando o aproximava da água. Com o aumento da proximidade, o grupo observou uma reação física no interior do recipiente, semelhante a uma efervescência.

Olgaria entrou na conversa e mencionou seu próprio Coração D’Aurora. O feiticeiro aplicou uma gota da água sobre o objeto e percebeu que ela perdia imediatamente sua característica fria ao entrar em contato com o amuleto.

O mesmo experimento foi repetido com o prisma de Garuk. Desta vez, o sekbete despejou o restante da água sobre o objeto. No entanto, nenhuma reação significativa ocorreu.

— Eu acho que o seu amuleto, Olgaria, quebra encantos ou magias desse tipo — concluiu Réctor, antes de encerrar os testes e o grupo recolher-se para descansar até a manhã seguinte, quando se encontrariam com o contato de Demétrius.

Golias

Demétrius havia chamado seu contato em Telas para obter mais informações sobre Shalash e os orcos. O ladino enviara uma mensagem enquanto permanecera sozinho em seu quarto, e Golias respondeu que o encontraria pela manhã.

Haftor, Garuk e o Guia acompanharam o Atravessador até a taverna.

Golias era um homem enorme e desproporcional, de aparência rústica e incomum. Ainda assim, seu olhar era atento e astuto.

Demétrius apresentou o grupo como aliados de confiança. Golias começou a falar sem reservas:

— Shalash é um feiticeiro, um profeta, nascido entre os orcos do vale, mas nunca foi considerado comum. Primeiro amaldiçoado, depois escolhido. Dizem que ele consegue ver o futuro.

Segundo Golias, os orcos estavam recebendo uma convocação para o norte, onde se reuniriam com o profeta e aguardariam o despertar do Grande Guerreiro.

— Shalash previu coisas como a Aurora Azulada. Ele acredita que os orcos ascenderão a outro patamar quando as profecias se cumprirem.

Por fim, o homem recitou uma canção profética atribuída ao profeta:

“Quando o gelo cantar
quando o ferro chorar sangue
o guerreiro despertará.”

Shalash encontrava-se junto da tribo Ortoor Maerk, nas geleiras. A localização exata era desconhecida, mas dominavam grande parte da região.

— O Shalash é forte? — perguntou Garuk.

— Se ele controla os orcos, então sim.

Golias então revelou outra informação:

— Guzur está nas montanhas sobre Caridrândia. Ele não respondeu ao chamado. Dizem que está planejando algo contra os elfos sombrios.

A conversa se encerrou após isso. Tudo que o contato sabia já havia sido compartilhado.

O alquimista

As informações de Golias ajudaram o grupo a compreender melhor o panorama geral sobre Shalash. No entanto, os acontecimentos em Telas continuavam intrigantes.

Réctor desejava visitar a estátua da deusa. Demétrius, porém, alertou que isso não seria simples, pois as áreas de escavação eram fortemente vigiadas pelas guildas de arqueólogos. Ele mencionou que poderia apresentar o grupo a uma antiga conhecida, Lismara, embora os acontecimentos do passado talvez não a deixassem muito disposta a ajudá-lo.

Os aventureiros buscaram compreender melhor a relação entre os dois. Embora evasivo, Demétrius deixou claro que haviam sido amigos, mas que um erro seu havia destruído essa relação.

Tendo essa possibilidade em mente, o grupo deixou a estalagem e foi buscar suas armas. Em seguida, encontraram um alquimista, a quem confiaram seus equipamentos para encantamento.

— Estou aqui para auxiliar dois amigos que desejam que suas armas se tornem poderosas o suficiente para causar desconforto até mesmo às sombras — explicou Réctor.

Com isso, Garuk, o Guia e Réctor contrataram os serviços do mago para aprimorar o tridente recém-construído, o martelo ajustado do Guia e o protetor de asas de Réctor. O trabalho levaria uma semana para ser concluído.

Percebendo que permaneceriam em Telas por um período prolongado, os aventureiros decidiram abandonar a dispendiosa estalagem onde estavam hospedados e procurar um abrigo mais discreto. Após vagarem pelas ruas antigas da cidade, encontraram um casebre em ruínas e decidiram utilizá-lo como base. O local serviria tanto para Réctor abrir sua Casa dos Sonhos quanto para o Guia manter vigilância sem chamar atenção.

Lismara

Demétrius conduziu o grupo até os arredores das escavações mais recentes, a oeste do centro da cidade. Um conjunto de barracas e tendas formava uma barreira diante da entrada do sítio arqueológico. O ladino guiou os aventureiros até uma tenda marcada com uma bandeirola que ele reconheceu.

Dois guardas, um homem e uma mulher, protegiam a entrada. Ambos reconheceram Demétrius imediatamente.

— Demétrius! Achei que você estava morto. Como se atreve a voltar? — disse a mulher, com evidente hostilidade.

— Não se preocupe comigo. Estou apenas apresentando alguns amigos para Lismara — respondeu ele, com cautela.

Os aventureiros entraram na tenda. O interior era amplo e desorganizado, com livros empilhados no chão e ferramentas de escavação — pás, picaretas e trenas — espalhadas por toda parte. No centro, uma mesa retangular coberta por pergaminhos e manuscritos era analisada por uma mulher de costas.

Réctor chamou sua atenção. Ao se virar e ver Demétrius, sua expressão endureceu imediatamente.

— Saia, Demétrius. Não tenho tempo para fantasmas do passado.

O grupo tentou apaziguar a situação e entender o motivo da hostilidade. Demétrius também tentou se explicar, mas sua voz apenas agravava a irritação da arqueóloga.

— Velhos tempos? Você quase destruiu minha carreira com aquelas suas “rotas seguras”. Saia. Posso falar com eles, se quiserem. Com você, não.

Os guardas entraram e removeram Demétrius à força, deixando o grupo sozinho com Lismara.

A arqueóloga então explicou o ocorrido.

Anos antes, ela e Demétrius haviam feito um acordo. O ladino lhe forneceria rotas seguras até Uno, atravessando a Caridrândia, para o transporte de mercadorias, artefatos e trabalhadores. Ele a mantinha informada sobre caminhos livres de ataques de elfos, bandidos ou orcos.

Porém, uma das caravanas foi atacada. A carga foi roubada e os trabalhadores sequestrados. Um rival chamado Volrath aproveitou o incidente e a denunciou como traficante de escravos, destruindo sua reputação.

O pior era que a acusação possuía fundamento: a rota estava sendo usada para transporte de escravos, embora Lismara desconhecesse esse fato.

Demétrius foi expulso, mas ela não revelou sua participação. Sua própria carreira foi destruída.

Com enorme esforço, Lismara reconstruiu sua reputação sozinha. Recentemente, conseguiu autorização exclusiva para liderar a escavação da Dama, que ela própria mapeou e iniciou.

Apesar de compreender a situação, o grupo ainda precisava de acesso ao sítio arqueológico.

— Tenho uma proposta para vocês — disse Lismara. — Um acordo.

Ela explicou que Volrath era, na verdade, o verdadeiro traficante. Ele havia assumido rotas legítimas e as transformado em canais para comércio de escravos entre Telas e a Caridrândia.

— Preciso que consigam um documento que prove a ligação dele com esse tráfico. Qualquer coisa que o incrimine. O armazém dele fica próximo ao Domo de Arminus.

O grupo aceitou a proposta.

— Temos a pessoa certa para isso — disse Réctor.

Lismara respondeu imediatamente:

— Não quero Demétrius envolvido. Se ele participar, nosso acordo está encerrado.

Os aventureiros deixaram a tenda e retornaram ao refúgio.

Demétrius, que vinha conquistando gradualmente a confiança do grupo, viu seu passado voltar para condená-lo mais uma vez.

— Tudo o que você toca se desfaz — disse Réctor, com frieza. — Você é um merdeiro.

Era tarde. O grupo decidiu iniciar a investigação no dia seguinte e entrou na Casa dos Sonhos para descansar, com exceção do Guia, que permaneceu de vigia.

O armazém de Vorath

Utilizando as sombras como aliadas, o Guia decidiu realizar um reconhecimento do armazém de Volrath ainda naquela madrugada.

Entrando em transe, projetou sua sombra e percorreu as ruelas antigas de Telas em direção ao Domo de Arminus.

Como antes, sua projeção enfraquecia à medida que se aproximava do Domo. Seus movimentos tornavam-se pesados e lentos, e o próprio encantamento parecia fragilizado. Ainda assim, prosseguiu.

O armazém de Volrath ficava a poucos metros do Domo. Aproximadamente dez guardas protegiam o exterior, atentos.

A sombra infiltrou-se no interior do armazém e encontrou uma barreira de escuridão absoluta. Sem contraste de luz, a sombra não conseguia existir.

O Guia aguardou pacientemente, observando o comportamento dos guardas, até que um deles acendeu uma lanterna e entrou no armazém.

Aproveitando a oportunidade, a sombra o seguiu, mantendo-se dentro da luz projetada pela lamparina.

O guarda percorreu um corredor longo, repleto de caixas e estátuas, até chegar a uma porta que levava a um pátio interno. Alguns passos adiante, outro armazém isolado.

O patrulheiro entrou.

A luz revelou um espaço semelhante ao anterior, dominado por caixas e baús.

Então, uma voz fina ecoou na escuridão:

— Você trouxe a lista?

— Sim. Está aqui — respondeu o guarda.

De repente, uma figura élfica emergiu das sombras. Seus olhos encontraram a projeção do Guia.

Sem hesitar, a figura sacou uma faca e a arremessou contra a lanterna.

A luz se apagou instantaneamente.

Privada de sua fonte de existência, a sombra do Guia se desfez, e o encantamento foi interrompido.

Telas, dias 9 e 10 do mês da Sabedoria do ano de 1502.

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