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terça-feira, 28 de abril de 2026

(VS) Sessão 31

O reencontro em Vesk Prime

Sobrecarregando a ala médica

Edric descobriu muitas informações sobre si nos registros do laboratório secreto da Dr.ª Reed, mas os computadores não pareciam conter mais dados úteis.

Os equipamentos do laboratório e os clones encontrados estavam sendo mantidos vivos pela energia obtida do próprio planetoide, embora não estivesse evidente a origem dessa energia.

— Quem sabe não levamos um desses clones? Talvez possamos fazer a Berenice voltar para o corpo… para um corpo de Evelyn Reed — sugeriu Rykk.

— Não consigo imaginar o que eu mesma faria — questionou-se a IA, em crise de identidade.

Ed, que operava os computadores, alertou que os tanques estavam energizados e que removê-los dali poderia provocar a morte dos clones.

— Dá para a gente preservar e levar? Ou conectar uma fonte secundária de energia enquanto transportamos? — insistiu Rykk.

Em grupo, os aventureiros descobriram uma forma de transportar os clones com vida por até dez horas. Após esse período, os corpos perderiam suas funções orgânicas sem uma fonte de energia ativa e o protocolo de simulação biológica.

Diante da necessidade de sintetizar nutrientes e estabilizar o fluido em que os clones estavam, Ed copiou os programas pertinentes dos computadores do laboratório após uma busca nos terminais que havia desbloqueado.

— Temos todo o necessário na nave — relatou Kassius, assim que viu a lista de insumos médicos necessários para a síntese.

O próprio Kassius decidiu transportar os tanques manualmente. Os robôs, que haviam sido hackeados e seriam levados pelo grupo, não possuíam mãos adequadas para manipulá-los com segurança.

— O que está fazendo com esse tanque? — surpreendeu-se Astra ao ver o soldado retornar para a Berenice com o enorme dispositivo nas costas, carregando um clone.

— Ah, isso aqui é… vamos tentar fazer uma consciência.

— E onde vamos colocar isso? — indignava-se a androide, que havia acabado de organizar a ala médica com os novos equipamentos adquiridos em Absalom para permitir a cirurgia em Vexia.

Ainda assim, o grupo encontrou uma forma de instalar os tanques.

As quatro máquinas de guerra hackeadas também foram levadas para a nave, sob total controle do grupo. Pip, solicitando alguns UBPs, fabricou dois pares de mãos para dois robôs, permitindo que auxiliassem na manutenção pesada da nave.

O problemático Allen

O grupo estava pronto para seguir viagem rumo a Vesk Prime. Porém, Allen mantinha a pressão por seu laboratório.

B9i, o Benólio, como Ed o chamava, trouxe suas reclamações:

— Dr. Allen segue insistindo que eu ainda não o ajudei. Está insistindo tanto que estou cogitando dar início à construção do seu laboratório, mas não sei onde fazer.

— Perfeito — respondeu Ed — vamos falar com o capitão. Ele vai saber onde montar o laboratório do Allen.

Ao solicitarem o apoio de Rykk, ouviram que a decisão já estava tomada:

— Já estava definido onde seria… na sala de reuniões. Vamos usar a sala que nunca usamos.

— Ô, Benólio, mas o Pip está trabalhando lá — esclareceu Ed — precisamos limpar a nave antes. Tem que explicar isso para ele.

— Eu já comuniquei. Ele respondeu que eu sou lento e incompetente.

Franzindo a testa draconiana, o capitão ordenou que Kassius trouxesse Allen até a ponte.

Depois de uma condução silenciosa pelo soldado, Allen finalmente chegou, demonstrando seu egocentrismo habitual.

— Eu sabia que precisariam da minha genialidade em algum momento.

— Bem, Allen, aqui será seu laboratório — disse Rykk, apontando para os monitores.

— Ah! — interrompeu Allen, tirando um papel manuscrito do bolso — eu preparei uma lista de materiais necessários.

A lista era extensa. Incluía computadores, terminais, 700 metros de dutos, entre outras ferramentas. Apesar disso, a maioria poderia ser construída na própria nave, com a formatadora de UBPs.

— Podemos fabricar tudo com 500 UBPs — informou Berenice — no entanto, a fabricação é lenta. Levará pelo menos uma semana para concluir os materiais mais delicados, dependendo da precisão exigida.

— Mais uma semana?? — indignou-se Allen.

No entanto, não havia alternativa. O cientista retornou para seu quarto, acompanhando o progresso do protocolo de construção de seu laboratório.

Mudando de assunto, o capitão voltou ao quarto de Allen para interrogá-lo. Mostrando a imagem de Lucilda Crey, a comandante da Lança de Hierofante que tentou destruí-los na fuga de Absalom, iniciou:

— Allen, você conhece essa mulher aqui?

— Sim, conheço. Lucilda Crey.

— Amiga sua?

— Eu a conheci há muito tempo. Fizemos algumas cadeiras juntos na faculdade.

— Estudou marcenaria?

— Lucilda é uma boa mulher — respondeu com seriedade — mas endureceu com o exército, com a carreira militar. Perdemos contato. Já faz mais de um ano que não a vejo.

A recepção na Memória de Shilos

Após a explosão na porta do hangar de Bullet, Héctor carregou o Dr. Kenji Tanaka para dentro da Memória de Shilos. O capitão Signus, um verthani, o conduziu até uma sala de reuniões com uma mesa hexagonal e um holograma central.

O capitão sentou-se de maneira relaxada, apoiando os pés sobre a mesa antes de iniciar a conversa.

— Quer beber alguma coisa? — Não, obrigado — respondeu Hothspoth prontamente.

— Tem certeza de que não quer beber alguma coisa? Não vai falar nada?

— Não, não. Já tomei muito soro da verdade esta semana.

Percebendo que o solariano não estava disposto a relaxar, o verthani abandonou a abordagem leve e foi direto ao ponto.

— Você sabe o que eu quero de você?

— Não, mas você vai me dizer, não vai?

— Claro. Só estou testando. Você sabe que eu faço grandes negócios com a Lança de Hierofante, não sabe?

— Sei. Você tem um acesso alto.

— Exato. Mas tenho notado algumas coisas estranhas. Minha nave é rastreada, e fiquei sabendo que você conhece a localização de uma nave que não pode ser encontrada por eles. Preciso fazer alguns negócios com essa nave.

Hothspoth confirmou a situação única da Berenice, e Signus passou a pressionar pela localização do grupo. Não foi necessário muito esforço para fazê-lo falar: — Estarão em Vesk Prime.

Imediatamente, Signus pressionou um botão sobre a mesa: — Já temos a localização desses infelizes, Tralon. Trace rota para Vesk Prime. Já temos o que precisávamos.

Antes de encerrar a reunião, Hothspoth mostrou o dispositivo que havia obtido em Castrovel, capaz de emitir a frequência do Eco Sepulcral.

— Se importa se eu testar este rádio por aqui?

— O que é isso?

— Eu procuro por pessoas que reagem à frequência que ele emite.

— Nunca vi nada parecido. Você construiu isso naquela nave?

— Não. Encontrei em Castrovel.

— Cuidado. Aqueles lashunta não sabem fazer nada direito.

Com o dispositivo ativado, Hothspoth passou a percorrer a nave.

Ele cruzou o compartimento de carga, onde encontrou tripulantes transportando grande quantidade de armamento pessoal. Observou o movimento por alguns instantes, atento a qualquer reação fora do comum — mas nada ocorreu além da leve vibração causada pela frequência.

Na ala médica, reencontrou Sora e o Dr. Kenji Tanaka, agora recuperado e sentado em uma maca.

— Já falei com o capitão. Estamos rumando para Vesk Prime — anunciou o solariano.

— O que vamos fazer em Vesk? — questionou Tanaka — embora seja um bom lugar para desaparecer.

— Nós vamos encontrar os outros.

Em tom confidencial, Tanaka aproximou-se de Hothspoth, ainda mancando: — As ampolas estão comigo. Se precisar delas, me avisa.

Hothspoth deixou a ala médica acompanhado de Sora. Ambos seguiram para a oficina, onde reencontraram o mecânico Talos, o mesmo que os havia salvado ao disparar um foguete contra os soldados da Lança de Hierofante.

Ele coordenava um grupo de cinco tripulantes que realizavam a manutenção de uma armadura energizável.

Hothspoth ativou novamente o dispositivo e observou o ambiente. Parafusos e pequenos objetos metálicos chegaram a vibrar e cair de uma bancada, mas ninguém apresentou qualquer reação física relevante, especialmente nada semelhante à dor intensa sentida por Ed.

— Você quer que eu conserte isso? — indagou Talos, ao notar o dispositivo nas mãos de Hothspoth — Onde você achou isso?

— Encontrei com uns elfos em Castrovel.

— Parece um equipamento sofisticado — disse ele, analisando-o com as mãos — apesar de inútil.

Após a inspeção, Héctor Hothspoth foi designado a um quarto compartilhado com Tanaka e Sora, enquanto a nave iniciava o salto de dias pela Deriva rumo ao sistema de Vesk.

A rachadura antes de encontro

Edric sentia uma dor incessante em seu braço direito. Inicialmente discreta, ela aumentava de forma dramática com o tempo.

A situação tornou-se crítica quando Flynn, ao inspecionar o cérebro e os olhos do Santo, constatou uma rachadura no âmbar.

O solariano chamou Ed para verificar a situação. Ao se aproximar, o piloto sentiu a dor lancinante característica de quando entrava em contato com fragmentos do Santo. Ainda assim, avançou.

— Melhor arrancar o vidro antes — sugeriu Flynn.

Quando o vidro de proteção foi removido, a dor se intensificou imediatamente.

— Aaah… tá doendo mais ainda! Kassius, me ajuda aqui!

Com a proteção removida, Ed, superando a dor atordoante, tocou o material. Um choque atravessou seu corpo. A dor veio acompanhada de uma visão. Um ritual. Um heptagrama. No centro… ele. E, depois, Kormiik. A imagem não era estática. Era um processo, uma substituição, um ciclo.

A rachadura no âmbar começou a se expandir.

— O cérebro e os olhos são a parte mais poderosa do Santo — informou Berenice — sozinhos, já foram capazes de provocar a Síndrome da Marcha Definhante.

A fissura crescia rapidamente, ameaçando um colapso completo do âmbar — e, possivelmente, um novo incidente semelhante ao de Riven Shroud dentro da nave.

Ed desmaiou.

Flynn e Kassius recolocaram o vidro de proteção, enquanto Pip foi chamado às pressas para avaliar o dano.

O mecânico analisou a estrutura. — Eu consigo construir um material novo… mas a solda… isso não é engenharia comum.

O grupo precisava arriscar. Pip construiu uma nova abóboda e preparou o material sintético necessário para conter a fissura. Flynn assumiu a tarefa. Sob risco de uma nova catástrofe, canalizou seus poderes fotônicos para realizar a soldagem. A luz se intensificou. Por um instante, parecia que o âmbar iria ceder. Mas não cedeu.

A solda foi concluída. O selamento foi imediato. A dor de Ed cessou no mesmo instante. O grupo isolou o cérebro em sua sala. A crise havia passado.

O reencontro em Vesk Prime

A Berenice saiu da Deriva nos arredores de Vesk Prime. O grupo ainda processava os acontecimentos recentes quando o capitão tomou a decisão: — Aportaremos no porto espacial mais próximo de nosso destino.

A nave aproximou-se de Porto Furioso, uma metrópole colossal que dominava a paisagem do planeta. Ainda em órbita, a tripulação pôde observar diversas naves de grande porte que permaneciam no espaço, incapazes de pousar na atmosfera densa.

A comunicação com as autoridades vesk foi estabelecida. — Estamos aqui para visitar um amigo — respondeu Rykk aos protocolos de acesso.

Para surpresa do grupo, a justificativa foi aceita sem resistência. Um hangar específico foi designado para a aterrissagem. Edric assumiu o controle manual e conduziu a nave com precisão sob as rígidas normas locais.

Assim que pousaram, mecânicos vesk iniciaram imediatamente os procedimentos de fixação magnética da nave, seguindo os protocolos de segurança do porto.

— Aterrissamos, capitão. Creio que poderei manter contato com a nave durante todo o tempo que permanecerem na cidade. A rede de infodados de Vesk Prime é muito avançada — informou Berenice.

— Ótimo — respondeu Rykk.

— Temperatura externa: 33 °C. Umidade: 93%. Tempo ensolarado — completou a IA.

Rykkgnaw, Edric, Flynn e Kassius desembarcaram, deixando Astra, Pip e os demais na nave para continuar os reparos e manter vigilância.

O ponto de encontro marcado por Garig era um pub pequeno, porém movimentado, localizado na região central da cidade.

— A que distância estamos do local? — perguntou Rykk.

— 12 quilômetros — respondeu Berenice.

— Vamos de carro.

O grupo contratou um serviço de transporte e seguiu pelas vias urbanas, cercadas pela arquitetura maciça e fortemente vigiada dos vesk, em direção ao ponto de encontro.

O outro lado do encontro

Enquanto isso, a Memória de Shilos chegava à órbita de Vesk Prime. Diferente da abordagem da Berenice, o capitão Signus optou por uma ancoragem clandestina, discreta e fora dos protocolos oficiais.

Hothspoth, acompanhado por Signus, o Dr. Tanaka e Sora, deixou o porto secundário em uma van conduzida por um subordinado do verthani. Percorreram cerca de vinte quilômetros até uma região central de Porto Furioso, marcada por uma avenida larga, de cinco faixas em sentido único e intenso fluxo de veículos.

A van estacionou no meio da quadra, em frente a um estabelecimento de grande porte, com capacidade para aproximadamente cem pessoas e vidros opacos que impediam a visualização do interior.

Ao perceber que Hothspoth se preparava para desembarcar, Signus interveio imediatamente: — Não, não, não… fica aqui. Calma. Toma isso.

Ele entregou um binóculo ao solariano e rapidamente explicou seu funcionamento. — Vamos observar daqui.

Hothspoth ativou o sensor térmico e passou a observar o interior do estabelecimento através dos vidros opacos.

As assinaturas térmicas revelaram duas figuras conhecidas: Garig e o soldado Francis aguardavam no local. Ainda não havia sinal do restante do grupo.

Enquanto aguardavam, Signus começou a se preparar para um possível confronto. Retirou seu arsenal e passou a organizá-lo dentro da van, demonstrando ansiedade crescente.

— Cadê o Ed? — perguntou, impaciente.

Hothspoth manteve o olhar fixo na rua. Pouco depois, um veículo elétrico se aproximou e estacionou em frente ao estabelecimento. Era o transporte utilizado pela tripulação da Berenice.

No mesmo instante, pelos comunicadores, a IA alertou: — Hothspoth está aqui. O Hothspoth que vocês conhecem.

— Olha lá… com o draconiano — disse Hothspoth, observando.

— Aquele ali? — respondeu Signus, já recolhendo o armamento e abrindo a porta da van — então não tem erro.

Ele sorriu, com um entusiasmo perigoso. — Vai dar briga. E não tem como errar um draconiano.

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