O Covil Selado
A gosma ácida
Réctor foi surpreendido pela gosma que se espalhava sobre o piso metálico. Ao se aproximar da espada que repousava no centro da substância viscosa, viu o líquido ganhar vida e se erguer em fúria.
O monstro tomou forma e foi cercado pelos aventureiros, mas logo perceberam que suas armas de metal eram corroídas pelo ácido intenso que o compunha. Haldur, lutando sobre a nuvem voadora conjurada por Réctor, viu a cabeça de seu machado se desfazer ao contato com a criatura. Em seguida, avançou e puxou a espada que estava submersa — a mesma que o feiticeiro tentara pegar antes do confronto — e percebeu que a lâmina permanecia intacta.
Enquanto os companheiros atacavam, Réctor observava e testava hipóteses. Descobriu que o fogo feria a criatura mais do que o aço, e gritou o aviso aos demais. O Atravessador aproveitou a descoberta e arremessou uma lamparina explosiva, incendiando o monstro. As labaredas, porém, se espalharam perigosamente, ameaçando todos à volta.
Buscando uma solução definitiva, Réctor invocou uma bênção de Plandis. O deus louco respondeu, concedendo-lhe o milagre da Hidromanipulação, que o napol usou para desidratar o inimigo.
Murcha e rígida, a gosma tornou-se vulnerável. Haftor ergueu o martelo e, com um golpe poderoso, atingiu o núcleo metálico da criatura, arremessando-o contra a parede e encerrando o combate.
O núcleo era inteiramente feito de Corvear. Haftor o removeu com esforço, enquanto Réctor analisava o fragmento. Dentro do metal, havia uma substância avermelhada — diferente da gosma ácida que formava o corpo do monstro.
O napol voltou aos registros de Veridion e encontrou uma receita parcial que sugeria a natureza da substância: uma mistura experimental, derivada do veneno de dragão. As informações, contudo, eram incompletas.
Enquanto isso, o Guia coletava amostras do ácido e examinava o maquinário no centro da sala. Juntos, os aventureiros concluíram que o aparato fora criado para derreter e moldar o Corvear.
O covil do dragão
A sala metálica possuía duas portas além da que o grupo utilizara: uma ao norte, trancada por uma trava de ferro; e outra, ao leste, com um bloqueio ainda maior. O Guia liderou o avanço por este caminho.
O corredor terminava em um arco ornamentado, aberto. Além dele, o chão de terra e as paredes de pedra bruta indicavam o fim do complexo subterrâneo. Um ar denso e gases esverdeados subiam das fendas no solo.
Garuk, Olgaria e o Guia avançaram primeiro. No centro do ambiente, viram um martelo repousando sobre um tecido vermelho. Avisaram os outros, e Haftor logo reconheceu a relíquia: o Martelo da Sentença, consagrado a Crizagom. Sob ele, havia uma mensagem deixada por Irina Vingadora:
O chão cedeu. O Dradenar não veio por nós — veio pelo Recipiente!
A Fera sentiu a Fonte da Fúria que o Mestre tentava conter. Que tola fui ao chamá-lo de Mestre.
Ele não é um sábio, é um ladrão de poder que constrói sobre túmulos.
Prometeu Ordem e Conhecimento; deu-nos apenas uma mentira erguida sobre o ninho de uma criatura titânica.
A semana que ele partiu não foi para buscar aliados em Autriz — foi para fugir do que sabia que viria.
Veridion, o Grande Scriptor, nos abandonou. Os pupilos estão assustados; os servos, em pânico.
Os deuses não nos protegerão da húbris de um homem, mas eu protegerei este lugar de seu erro.
Usarei o caldeirão de proteção. É a única chance de ferir a Fera o suficiente para que ela se contente e parta.
Que Crizagom e Palier me julguem: eu me deito aqui para que o Véu da Alvorada não toque o sol.
Que o nome de Veridion seja amaldiçoado pelo seu abandono, mas que a memória do dever prevaleça.
O ar ácido começou a incomodar os aventureiros, mas resistiram para investigar o local. Concluíram que estavam no covil original do Dradenar, selado pelo mago.
Garuk coletou fragmentos de escamas verdes, enquanto Réctor lançou feitiços de proteção contra o veneno e examinou fungos coloridos que cresciam nas rochas. O Guia procurava rastros humanoides — e não encontrou nenhum, apenas sinais de insetos e animais do subterrâneo.
Foi então que duas aranhas gigantes emergiram das sombras. Uma delas caiu sobre a outra durante o ataque, esmagando sua companheira, mas a sobrevivente ainda investiu contra o Guia. O veneno escorria das presas, e o sekbete resistiu por pouco. O grupo reagiu rapidamente: o rastreador se desvencilhou das garras da aranha, e Haftor, brandindo a Marreta da Sentença, esmagou a criatura contra o chão.
Reinvestigando
Com o covil do Dradenar finalmente seguro, os aventureiros retomaram as buscas. Garuk recolheu quantas escamas pôde carregar, enquanto o Guia coletava o veneno da aranha.
Réctor retornou ao laboratório de Veridion para estudar o dispositivo octogonal que Haldur havia girado antes. Depois de testar diferentes posições, ativou uma nova projeção na parede — novamente mostrando a Cidadela de Autriz, mas de outro ângulo.
— “Do ponto de vista do Krokanon”, deduziu Haftor.
O Guia, frustrado por não encontrar novos rastros de Thal, retornou ao refeitório. Lá, descobriu um alçapão no piso e o abriu: um arsenal esquecido aguardava ali. Armas, armaduras e ferramentas enferrujadas — algumas ainda utilizáveis.
Ainda havia o que descobrir sob a Torre Branca do Sul.
Torre Branca do Sul, Terras Selvagens — Dia 13 do mês do Sangue, ano de 1502.

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