Sessão 38 - Vesk-4
A Aterrissagem turbulenta
Berenice entrava na órbita de Vesk-4 sob o comando de Edric, mas as condições não eram favoráveis. Além da notícia de que eram procurados no sistema, a situação meteorológica do planeta exigiria habilidade do piloto para chegar à superfície em segurança.
Antes de dar início aos protocolos de entrada, Rykk ordenou que a tripulação trabalhasse em uma identidade falsa para a nave. Flynn, Hothspoth, Sora e o próprio capitão dedicaram-se aos códigos de identificação, auxiliados por Berenice, até conseguirem construir uma assinatura digital convincente.
Ed conduziu a nave para a atmosfera. Sob autorização governamental para pousar em um dos hangares disponíveis, atravessou as barreiras de nuvens de tempestade e, enfrentando forte turbulência, conseguiu pousar a nave em segurança no local designado.
A superfície visível do planeta era composta apenas por guindastes magnéticos, chaminés que expeliam gases amarelados e plataformas de liga metálica. Toda a infraestrutura habitável encontrava-se abaixo delas, escavada na rocha magnética. Assim que a nave atracou, ganchos mecânicos prenderam sua estrutura, e um elevador conduziu a tripulação ao subterrâneo.
Já em solo, uma comitiva vesk aguardava para iniciar os procedimentos de desembarque. A expectativa quanto à identidade falsa logo foi substituída por alívio: o comando local, menos rigoroso do que o de Vesk Prime, não detectou o código forjado e autorizou a permanência da nave.
A inspeção
— Aqui é o supervisor técnico Varakos — anunciou uma voz vesk pelos comunicadores. — Solicitamos acesso à nave para uma inspeção.
A tripulação ficou apreensiva. Flynn temia principalmente pelo fóssil do Santo.
— Eu posso colar uns adesivos de perigo na porta! — sugeriu Pip.
A ideia, embora simplória, foi aceita pelo capitão por falta de alternativa melhor. O skittermander deixou a ponte pelos dutos de manutenção e logo pôde ser visto colando placas de advertência na porta da sala de carga especial.
Enquanto isso, Rykk e os demais discutiam como reagiriam à abordagem do supervisor Varakos.
Hothspoth deixou a ponte e dirigiu-se ao arsenal. Pegou alguns equipamentos e posicionou-se diante da porta da câmara, assumindo postura de guarda.
Sem outra alternativa, Rykk ordenou a abertura da comporta de carga e foi receber o inspetor.
— Muito prazer — cumprimentou Varakos, de maneira formal e impessoal.
— Meu nome é Gnal — apresentou-se Rykk, utilizando a identidade falsa.
A inspeção percorreu toda a nave. A sala de cargas especiais, onde o fóssil do Santo permanecia acondicionado, estava próxima. Ao notar as placas de advertência — "Perigo", "Radiação", "Não entre" — o vesk questionou:
— O que tem aí dentro?
— Resíduos radioativos — respondeu Rykk.
Varakos não demonstrou maior interesse. Pareceu satisfeito com a explicação e prosseguiu, para alívio da tripulação.
Ao chegarem ao arsenal, Hothspoth permanecia imóvel em sua posição de vigilância.
— O que ele está protegendo?
— O arsenal.
— Quero ver.
Com uma ordem do capitão, Hothspoth liberou a passagem. O inspetor lançou apenas uma rápida olhada no interior antes de seguir adiante.
Varakos ainda visitou a ponte, mas não entrou nos aposentos onde Allen permanecia. O cientista havia sido previamente orientado pelo capitão a não criar qualquer tipo de problema durante a inspeção.
— Vocês estão liberados, senhor Gnal — anunciou o supervisor ao final da vistoria. — Não causem problemas, e não terão com o que se preocupar em Vesk-4.
A identidade falsa resistira ao primeiro teste. Agora, restava descobrir se Garig ainda estava onde prometera estar.
Rykk, Ed, Hothspoth, Flynn e Kassius deixaram Berenice após receberem algumas recomendações sobre as cidades subterrâneas da região. Em seguida, embarcaram em um trem rumo ao centro urbano mais próximo.
O esconderijo de Garig
Berenice informou que as coordenadas enviadas por Garig não apontavam para uma cidade, mas para um túnel subterrâneo situado a cerca de 30 quilômetros dali.
— Vamos alugar um veículo — ordenou Rykk.
A tripulação dirigiu-se a uma locadora e foi recebida por uma vesk de escamas verde-ciano, quase tão alta quanto o draconiano.
— A que horas termina seu expediente? — perguntou Rykk, obtendo a resposta que esperava.
Depois de combinar o horário de retorno, o grupo escolheu um veículo e partiu em direção ao ponto mais próximo possível do esconderijo de Garig.
Ed conduziu o veículo por uma ampla estrada de Vesk-4 até alcançar um desvio protegido por guardas armados.
— Não é seguro passar a partir daqui — alertaram.
— Não se preocupem conosco. Sabemos nos cuidar — respondeu Rykk.
Convencidos pela insistência do draconiano, os guardas permitiram a passagem. O grupo percorreu mais alguns quilômetros antes de precisar prosseguir a pé.
O restante do percurso era perigoso. O oxigênio estava contaminado por gases químicos oriundos do interior do planeta, enquanto um líquido verde e corrosivo escorria por um enorme duto industrial.
— Precisamos atravessar esse duto — informou Berenice. — Perderemos contato com a nave assim que entrarem, mas continuarei acompanhando vocês pelos comunicadores enquanto for possível.
A tripulação avançou com cautela, caminhando pelo interior da tubulação e evitando qualquer contato com o líquido corrosivo e possivelmente inflamável.
O maior obstáculo surgiu quando encontraram uma antiga escadaria metálica, bastante corroída, que subia cerca de vinte metros. Rykk voou até o topo. Kassius escalou logo depois, embora alguns degraus cedessem sob seu peso e quase o derrubassem. Hothspoth, Flynn e Ed completaram a subida sem dificuldades.
Já próximos da saída, encontraram as paredes tomadas por esporos venenosos semelhantes a cracas metálicas. O grupo prosseguiu lentamente para evitar qualquer contato. O porte avantajado de Rykk, porém, jogou contra ele. O emissário aproximou-se demais de um dos organismos, que liberou uma nuvem de gás tóxico. O draconiano tossiu violentamente e sofreu alguns ferimentos, mas conseguiu seguir. Kassius também encontrou dificuldade para atravessar o trecho sem importunar as criaturas. Hothspoth chegou a cogitar abrir fogo contra elas, mas preferiu prosseguir sem provocar um confronto.
O duto finalmente terminou em uma passarela metálica pertencente a instalações aparentemente abandonadas.
Quando Kassius saltou sobre a plataforma, uma criatura semelhante a um crustáceo despencou sobre ele. O ataque não foi suficiente para atravessar sua defesa, mas logo outros monstros surgiram das estruturas ao redor.
O grupo precisaria lutar para prosseguir.
Vesk-4, 24/06/325





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